Deus sempre carinhoso


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O cristianismo exige um coração jovem, em condições de aceitar as novidades

Com a graça de Deus estamos vivendo o quinto domingo da quaresma, chega a Semana das Dores. Deus nos convida a olhar o presente deixando de esperar as soluções da nossa vida nas coisas do passado. Hoje Deus nos fala. Quais são os ensinamentos da palavra de Deus para nós?

Primeira Leitura: Isaias 43
Nós todos passamos por momentos de crise. Também em nível pessoal enfrentamos às vezes situações aparentemente desesperadoras. As paixões, os maus hábitos, os nosso instintos, os nossos sentimentos, as nossas reações, o nosso temperamento intratável às vezes nos envolvem e nos dominam. Tentamos até melhorar, mas no fim entregamos os pontos, desanimados e acabamos concluindo que não vale a pena lutar, pois a situação não vai melhorar mesmo.
A resposta de Deus a estas angustiantes indagações nos é dada na leitura de hoje. Deixai de recordar o passado lembra Deus aos israelitas, deixai de remoer as coisas antigas, como se eu não pudesse repeti-las! Prestai atenção! Não estais vendo? Estou para realizar uma obra muito mais extraordinária do que a de antigamente!
Mas o que é que vai fazer o Senhor? Ele libertará o seu povo da escravidão da Babilônia, reconduzi-lo-á à sua terra. Para que a sua viagem seja mais agradável e cômoda, ele abrirá um caminho no deserto, fará brotar nascentes de água no deserto para saciar sua sede, ao lado dos animais selvagens, dos chacais, avestruzes, como no paraíso terrestre.
Trata-se, evidentemente, de figura, aliás, de esplêndidas figuras, para reafirmar que Deus não se esquece do homem. Ele não agiu somente no passado, ele continua agora manifestando o seu amor, realizando obras extraordinárias. É preciso, porém, abrir os olhos!

Segunda Leitura: Filipenses 3
O cristianismo exige um coração jovem, em condições de aceitar as novidades. É difícil romper com o passado de uma hora para outra. Imaginemos como é difícil renunciar ao modo de pensar que assimilamos desde a infância, segundo o qual consideramos lógico, normal e certo, acumular bens materiais e administrá-los sem remorsos, buscar vantagens para si mesmos, competir com os outros em vez de servi-los, guardar rancor pelas desfeitas recebidas, gozar a vida sem qualquer preocupação pelas necessidades dos demais. Contudo, bem sabemos estas atitudes não são compatíveis com a nova vida que Cristo pediu aos seus discípulos. Não é fácil aceitar a sua maneira de pensar; esta se choca frontalmente com tudo aquilo que sempre julgamos certo.

Evangelho: João 8.
A adúltera do Evangelho de hoje foi pega em flagrante, agarrada, ameaçada, talvez chicoteada, e depois foi jogada no chão aos pés de Jesus. A lei punia o adultério com a morte. Ela foi levada até Jesus. Arrastaram a mulher no meio da multidão e com olhares cheios de segundas intenções, lhe perguntaram: “Mestre, a lei manda apedrejar mulheres como esta: Tu, o que dizes?”
Jesus não respondeu. Inclinou-se e começou a rabiscar no chão. Jesus não quis abandonar aquela mulher que os “defensores da moralidade pública” já consideravam um troféu, uma presa que lhes pertencia. Por isso, ergueu a cabeça e disse: “Quem dentre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra”. Em seguida, inclinou-se novamente e continuou a rabiscar o chão.
A partir desse momento, os presentes já não se sentiam mais à vontade: tinham sido desmascarados, sua hipocrisia fora posta às claras. E Jesus ficou sozinho com a mulher, diz-nos o Evangelho. Ele é o único que podia pronunciar a sentença, mas ele se recusa a fazê-lo. Ele não condena.
Se Jesus não julga e não condena, quer dizer então que o pecado não significa nada? Praticar o bem ou o mal é a mesma coisa? De modo nenhum! O pecado é um mal muito grave que infelicita e destrói a vida de quem o pratica. Jesus não diz à mulher: “Vai em paz, fizeste bem em trair seu marido, continua fazendo assim!” mas lhe diz: “pára com isso, não peques mais, para não estragar a tua vida por um instante de prazer!”
Ninguém detesta o pecado mais do que Jesus, porque ninguém ama o homem mais do que ele. Entretanto não condena a pessoa que errou (e não autoriza ninguém a atirar pedras), para não acrescentar mais males aos que o pecador já cometeu. A única coisa que ele deseja é a salvação de quem errou. Quer que abandone a sua condição miseranda; por isso não tolera que quem quer que seja atire pedras contra aquele que com muito custo procura aguentar-se nas próprias pernas.

José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br

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