A frota de caminhões da Secretaria Municipal de Serviços e Meio Ambiente é utilizada todos os dias, mas não é fiscalizada com rigor. Os cinco motoristas responsáveis pelo transporte de terra, materiais de construção, entulhos e até animais mortos têm seus trajetos e gastos com combustível controlados apenas por uma planilha em que são anotados, pelos próprios motoristas, a quilometragem e o consumo de óleo diesel.
Não há qualquer meio de monitoramento para comprovar se o que é anotado é realmente o que foi cumprido. Segundo funcionários ligados ao setor de terraplanagem da secretaria, as pranchetas não passam por conferência sistemática e também não há nenhum aparelho instalado nos veículos que possa provar onde estiveram e quando, como GPSs. “Tudo é feito de forma verbal. Não há praticamente nenhum controle”, disse um dos servidores que trabalha na secretaria há cinco anos e pediu anonimato.
A rotina de trabalho é definida, de acordo com os servidores, pelo supervisor do setor. “Os motoristas chegam 7h20, se reúnem com o chefe que diz para cada um o que devem fazer pela manhã. Eles, então, pegam seus veículos, abastecem, anotam numa prancheta a quantidade de litros e a quilometragem e vão trabalhar.”
De acordo com os servidores, as ordens não são documentadas, nem registradas em algum programa digital. Os motoristas não carregam nenhuma ordem de serviço que deva ser assinada por quem solicitou o serviço ou recebeu o material que carregam para o registro na secretaria.
A exceção fica para os casos em que há retirada de animais mortos, que são levados para o aterro sanitário. “Neste caso, eles recebem o recibo de pesagem do próprio aterro que precisa ser arquivado na secretaria.” Outra ocasião em que há algum tipo de documentação é no caso de doação de terra a munícipes carentes. “Quando tem doação de caminhão de terra, levam um recibo para a pessoa que foi beneficiada assinar.” Mas é só.
Nos serviços do cotidiano, como o transporte de terra entre as áreas públicas ou a entrega de materiais de construção em obras do município, não há comprovantes. “Só se cumpre o que o chefe passa de manhã e após o almoço.”
Os servidores ouvidos pela reportagem dizem que, depois de serem totalmente preenchidas, as planilhas são arquivadas na secretaria. “Eles guardam tudo, mas não há ninguém que fiscalize”, disse outro servidor, que não quer ser identificado.
A falta de controle rigoroso sobre a rotina dos caminhões da Secretaria de Serviços pode dar margem a desvios tanto de materiais e terra quanto do uso dos próprios veículos. Não é possível calcular o montante de recursos públicos que circulam nos cinco caminhões da frota da Secretaria de Serviços. Os servidores entrevistados não souberam precisar quantas viagens a pontos diferentes são feitas todos os dias, nem qual o tipo e a quantidade mais comum de material transportado.
Mas nas empresas que trabalham com terraplanagem, o custo médio de um caminhão de terra, por exemplo, é de R$ 120. Para aterrar um terreno de 600 metros quadrados são necessários 75 caminhões, ou R$ 9 mil.
Ainda de acordo com os servidores ouvidos pelo Comércio, a falta de fiscalização não é algo recente. “A rotina sempre foi esta. Desde que trabalho aqui é desse jeito”, disse um dos funcionários.
O secretário de Serviços e Meio Ambiente, Ismar Tavares, se recusou a dar entrevista e não detalhou como é feito o controle da frota.

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