Só dar o peixe não basta


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Dilma Rousseff mostra ter boas intenções ao tentar tirar mais de 2,5 milhões de brasileiros da zona de extrema pobreza, com a ampliação do principal programa social do governo, o Bolsa Família. Porém, como só boas intenções não são capazes de contribuir para uma revolução que eleve o patamar social dos atendidos - e de boas intenções o inferno está cheio, como diz o ditado -, falta ainda que estas famílias recebam suporte para a entrada no mercado de trabalho, afastando-se do assistencialismo que, em longo prazo, não é benéfico.

Embora exija contrapartidas dos atendidos, o Bolsa Família, da forma que está, não deverá acabar com a miséria. Não é possível pensar que alguém consiga viver com apenas R$ 70 per capita. É preciso mais: criar condições para que estes brasileiros desfavorecidos obtenham o próprio sustento, permitindo que o dinheiro hoje gasto com eles seja direcionado para áreas onde há grande necessidade de investimentos, como a saúde, por exemplo. Enquanto apregoa as vantagens do programa assistencialista, o Palácio do Planalto se cala para outros problemas que merecem atenção imediata. É o caso dos hospitais públicos brasileiros, que vivem à míngua, à beira da falência, sucateados e sem condições de prestar atendimento digno àqueles que não têm como pagar um plano de saúde.

Ao anunciar investimentos no Bolsa Família, a desoneração de setores produtivos (numa renúncia fiscal de algumas dezenas de bilhões de reais), verbas para projetos que consomem muito dinheiro e apresentam indícios de irregularidades - como a Ferrovia Norte-Sul, estádios e infraestrutura para a Copa do Mundo e as Olimpíadas e a transposição do Rio São Francisco -, o governo Dilma Rousseff praticamente se esquece de que não reajusta a tabela do SUS - valores que são pagos aos hospitais pelos procedimentos que realizam em grande parcela da população que depende da saúde pública - há mais de 10 anos. E, com isso, o atendimento hospitalar brasileiro vai descendo rapidamente a ladeira.

Exige-se apenas que o governo tente inserir os beneficiários do Bolsa Família no mercado de trabalho para que os recursos que arrecada sejam aplicados corretamente onde também importa - e para um contingente bem maior do que apenas os inscritos nos programas sociais. Além da saúde, a educação também está por merecer investimentos de monta, não apenas na construção de estabelecimentos de ensino mas também na capacitação, treinamento e atualização de professores e funcionários, pagando-lhes valores que compensem o trabalho de educar, injetando assim um novo ânimo que permita ao ensino brasileiro atingir os índices de excelência que sempre foram procurados. Investir nas pessoas, numa batalha contra a miséria brasileira, não deixa de ser louvável. Mas proporcionar saúde e educação de qualidade também é necessário, porque do contrário estaremos ‘despindo um santo para vestir outro’. Desta forma, se as coisas continuarem como estão, teremos realmente baixos índices de miséria, mas em contrapartida altos índices de graves problemas em outras áreas. E este não é o Brasil com que todos sonhamos.

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