Após denúncia, PC faz buscas em Jeriquara


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Policiais civis em frente ao matadouro interditado na última segunda
Policiais civis em frente ao matadouro interditado na última segunda

A Delegacia Seccional de Franca executou na manhã de ontem cinco mandados de busca e apreensão em açougues, propriedades rurais e residências de Jeriquara. A operação surgiu após denúncia de abate cruel e falta de higiene em abatedouros exibida pelo Fantástico, da Rede Globo. O matadouro de Jeriquara foi um dos denunciados. Com autorização da Justiça, a ação contou com cinco equipes policiais e resultou na apreensão de uma arma calibre 22, machados e documentos. A suspeita é que a carne abatida no local era comprada pela Prefeitura e usada na merenda escolar.

Eram 8 horas quando as viaturas da Polícia Civil chegaram ao município. Trinta homens, entre investigadores, delegados e peritos criminais, foram até os imóveis, vistoriaram carros e casas e encontraram de posse do comerciante João Paulo Pereira uma arma calibre 22, que seria usada no abate de animais.

Ele foi preso em flagrante e pagou fiança de R$ 1,5 mil. Já a arma mostrada na reportagem, utilizada pelo açougueiro Daniel Silva, não foi encontrada. Silva foi mostrado abatendo um boi com um tiro. Nos estabelecimentos foram encontrados ainda dezenas de documentos, entre eles muitas contratos envolvendo a Prefeitura de Jeriquara.

A suspeita é que os açougues envolvidos possam ter fornecido carne ao município e o produto, utilizado na merenda escolar. A operação não apreendeu carnes. A perícia técnica de Ituverava também esteve presente na ação e vistoriou o matadouro alvo das denúncias.

Segundo o promotor de Justiça de Pedregulho, Alex Facciolo Pires, o pedido de busca domiciliar nos imóveis dos envolvidos ocorreu após conhecimento da reportagem do último domingo. Pires também abriu um inquérito civil para continuar acompanhando o caso e identificar os responsáveis. Ele pretende ainda cobrar os órgãos competentes. “Precisamos saber quem era o veterinário responsável, saber qual a frequência das fiscalizações, se os açougues são regularizados e para onde a carne era vendida.”

O delegado Daniel Radaeli, que acompanhou a operação, disse que todas as provas encontradas, principalmente os contratos, serão averiguados no inquérito existente na Delegacia Seccional. “Com certeza, a municipalidade será questionada sobre a concessão do matadouro, a presença de veterinários, o fornecimento de carne e até o possível uso dessa carne na merenda escolar.”

Segundo o promotor, apuradas as responsabilidades, os envolvidos, inclusive o ex-prefeito Alexandre Borges (DEM), poderão responder pelos crimes de maus tratos a animais, contra a saúde pública e contra o consumidor. “Vamos pedir informações para a Secretaria Estadual de Agricultura, à Cetesb e ao Conselho Regional de Veterinária, para também que eles investiguem o caso.”

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