Contas a pagar


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Participei na última 4ª. feira do Fórum C4 de Crédito e Cobrança realizado aqui em São Paulo, entre os dias 7 e 8 de março, como um dos debatedores do painel “Melhores Práticas para Reduzir a Inadimplência”. O tema central era a concessão de crédito responsável e esta introdução serve para mostrar aos leitores, a transcendência da questão do endividamento e da inadimplência. A política do governo para desenvolver a economia tem sido a de estimular o consumo interno, facilitando a concessão do crédito. Se, por um lado, tem havido um aumento do gasto das famílias nas contas do PIB, o fato é que, por outro, a inadimplência vem preocupando a todos.

Os dados divulgados pelo Banco Central sobre dívidas com prazo de vencimento superior a 90 dias e não pagas vem acusando ligeiro acréscimo e causando preocupações generalizadas por parte de todos os que lidam com concessão de crédito no País (bancos, financeiras, grandes magazines, companhias de cartão de crédito, empresas concessionárias de serviços públicos). Isso ficou claro no Fórum C4, a ponto do painel suscitar acalorados debates sobre como enfrentar o desafio da redução do endividamento e da inadimplência. Ali, a preocupação é com a relação dívida/renda das famílias brasileiras, que tem superado o número mágico de 30%, considerado limite superior adequado. No caso da inadimplência, fruto do risco associado à operação de crédito, procuram-se medidas capazes de contribuir para sua redução.

Para aquele que “fornece” crédito, ou seja, aquele que antecipa poder de compra para terceiros, a recomendação é que ele deve “afinar o instrumento” ao colocar no mercado seus produtos financeiros. Cartão de crédito para camadas de baixa renda, crédito para universitários, financiamento de autos sem entrada e a prazos (muito) longos, são, de fato, bons produtos do ponto de vista do risco? Eles podem ser até atraentes, mas terão sido projetados (desenhados) com o rigor e o cuidado que a “construção” de uma operação de crédito requer?

Para o usuário do crédito, a primeira recomendação é a prática do planejamento financeiro, com a elaboração do orçamento familiar. Esta é a medida mais importante que os tomadores de crédito devem observar, com a recomendação de que se atenham aos limites estabelecidos na peça orçamentária doméstica, cuja execução será feita com rigor no contexto de toda a família. A segunda proposição é a do consumo consciente, que significa adquirir (somente) aquilo que é realmente necessário – nada de comprar por impulsividade – gastar dentro dos limites que permite a renda familiar e preparar-se para eventuais riscos que o futuro pode trazer. Ao lado disso, recomenda-se conhecer bem a armadilha dos juros.

As análises, os debates e as lições ali discutidas devem trazer melhorias no comportamento financeiro dos agentes que atuam no setor. Sobretudo agora que novos contingentes de consumidores chegam ao mercado com a ajuda dos programas governamentais de distribuição de renda.

Vicente P. Oliveira
Economista

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