Foram mais de duas horas de discussões e conversas até que a direção da Santa Casa de Franca decidisse aceitar as condições impostas pela Prefeitura e pelo governo do Estado para colocar um ponto final nas constantes crises financeiras enfrentadas pelo hospital. Na terça-feira, o secretário estadual de Saúde, Giovanni Cerri, havia condicionado a ajuda financeira à abertura da administração e de dados mantidos em segredo pelo hospital.
A reunião aconteceu no gabinete do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) e contou com a presença do presidente da Santa Casa, Luís Aurélio Prior, e do diretor administrativo do hospital, Marcos André Haber. Prior saiu cerca de meia hora antes do final da reunião e não quis falar com a imprensa. Disse que tinha outro compromisso.
No encontro, que teve a intermediação do promotor de Justiça, Eduardo Tozzi, ficou acertado que será montada uma comissão formada por um representante da Prefeitura, um do Estado e um do próprio hospital para administrar a Santa Casa. “Não será uma intervenção. Vamos trabalhar em conjunto com a atual diretoria. Mas queremos transparência. Vamos acompanhar tudo o que for gasto ou comprado no hospital. Queremos acesso total aos dados e aos cômodos da Santa Casa. Eu participarei pessoalmente desse trabalho”, disse o prefeito, que prometeu visitar o hospital toda sexta-feira.
A forma como funcionará esta comissão e quais serão exatamente seus poderes ainda não foram definidos. “Fizemos esta reunião para apresentar a ideia. Agora que a direção aceitou nossa ajuda, vamos passar para a fase de definições”, disse o prefeito, que hoje estará em São Paulo e deve se encontrar com o secretário estadual de Saúde.
No encontro, será acertado qual será o valor que cada um deverá arcar para acabar com o déficit mensal do hospital, hoje avaliado em R$ 2,5 milhões. “Vamos acertar esses números. Mas é preciso deixar claro que nem a Prefeitura nem o Estado aceitarão pagar pela dívida acumulada do hospital. Vamos atuar para que ela não cresça e não haja mais corte de atendimento, mas não trataremos desse passado”, disse Alexandre.
As definições que forem acertadas hoje serão colocadas em um documento que deverá ser assinado por todos os envolvidos. “Esse documento será um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) do Ministério Público, que acompanhará se estamos cumprindo o que foi acordado.” A previsão é que tudo esteja pronto nesta sexta-feira. A comissão começaria a atuar no mesmo dia.
Segundo o prefeito, a ideia inicial é que essa comissão funcione por quatro meses. “Depois o Estado ou uma organização social assumiria. Estamos planejando essa transição. Faremos a mudança do modelo de gestão.”
O diretor administrativo da Santa Casa, Marcos Haber, disse que as contas do hospital sempre estiveram abertas e que não há nenhuma informação sigilosa. “O que houve foi um desencontro. Nós já enviamos alguns dados para a Secretaria Estadual, mas eles queriam números mais detalhados. Não temos problema nenhum com este novo modelo de gestão.”
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