A Prefeitura de Franca deu mais um passo em direção ao combate ao crack. O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) decretou ontem a criação do comitê gestor do programa “Crack, é possível vencer”. O órgão será presidido pela secretária de Ação Social, Gislaine Peres, e composto pela secretária de Saúde, Rosane Moscardini; a chefe de Gabinete, Maria Moreira; a secretária de Educação, Leila Haddad; o secretário de Segurança e Cidadania, Sérgio Buranelli; e o procurador-geral do município, Joviano Mendes da Silva.
O programa é federal, fruto de parceria dos ministérios da Justiça, Desenvolvimento Social e Saúde, mas que necessita da adesão dos Estados e municípios. Em todo o Brasil, o investimento deverá ser de R$ 4 bilhões. O aporte federal para Franca ainda não foi divulgado, mas o município também deverá entrar com uma parte da verba do programa.
Para que o município pudesse aderir ao projeto, a primeira medida era formar o comitê. A próxima é o envio de um plano de ação ao governo federal, o que, de acordo com Gislaine, deve acontecer até amanhã. “Entendo que o próximo passo já será o de aplicação prática do plano”, disse.
Na pasta de Ação Social, as medidas visam a reintrodução do usuário de crack na sociedade, o que poderá ser obtido com o encaminhamento a cursos de capacitação. “O papel da Ação Social também vai ser o de aproximar o usuário de crack à família e o de implantar o centro de referência para moradores de rua, o Centro Pop, ainda este semestre”, afirmou Gislaine.
Segunda a secretária, na Secretaria de Educação, o trabalho envolverá uma intensificação de campanhas preventivas já realizadas na rede municipal de Ensino. Já a pasta de Segurança ficará por conta do combate ao tráfico de drogas. Por fim, entre as responsabilidades da área da Saúde, incluem-se o mapeamento e fortalecimento de serviços de atendimento aos usuários de crack ofertados no município, tanto governamentais e não-governamentais e a criação de consultórios móveis e de clínicas especializados.
SECRETARIAS
A secretária municipal de Educação, Leila Haddad, afirmou que o trabalho preventivo de combate ao crack já existe nas escolas municipais, através de reuniões temáticas com as famílias e acompanhamento das orientadoras com os alunos. Com o programa, um novo projeto de prevenção será ser elaborado.
Já o secretário de Segurança e Cidadania, Sérgio Buranelli, afirmou que ainda está planejando as ações específicas para o programa, e preferiu não entrar em detalhes. A reportagem também tentou entrar em contato com a secretária de Saúde, Rosane Moscardini, mas ela não foi encontrada.
A DROGA
Gislaine não tem um levantamento do número de usuários de crack em Franca, mas cita dois estudos apontando que o consumo é quase inexistente entre estudantes do ensino médio na cidade, e que quase 90% dos moradores de rua locais usam a droga.
“O crack está instalado na população adulta e naqueles jovens fora da escola”, disse. “O Brasil é o país número um em consumo de crack. Essa droga é a que leva ao maior número de mortes e a que compromete mais rapidamente o funcionamento do organismo.”
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