Os sinos da Catedral de Nossa Senhora da Conceição, no Centro de Franca, badalaram ontem mais forte. Eram por volta das 15 horas e, além das badaladas dos sinos, do alto da torre da igreja também ecoou o hino pontifício em sinal de anúncio a todos os católicos: “Habemus Papam!”.
O escolhido foi o cardeal argentino Jorge Mário Bergoglio, de Buenos Aires, que uma hora depois apareceu aos fiéis com o nome de papa Francisco. Nas ruas, muitas pessoas acompanharam a transmissão parados nas frentes de lojas, lanchonetes e padarias. Já às 17 horas, o padre José Geraldo Segantin, atual administrador diocesano, celebrava a primeira missa em Ação de Graças ao novo papa.
Na assembleia, formada em sua maioria por senhores e senhoras, alguns ainda não sabiam que o sucessor de Bento XVI havia sido escolhido. “Escolheram? E o brasileiro não ganhou?”, indagou uma senhora. Membros da comunidade católica O Caminho (Pobres de Jesus), que tem São Francisco de Assis como um dos patronos, também participaram da missa.
Ao longo da celebração, padre José Geraldo falou sobre o resultado do conclave e também da expectativa em torno do cardeal eleito papa. “É o primeiro papa que estava mais perto de nós. Com certeza, ele terá uma grande missão e nós vamos aprender muito com ele.” Em seguida, o padre disse sobre a escolha do nome do papa. “A primeira ideia que brota é dele ter escolhido o nome Francisco alicerçado na conduta de São Francisco de Assis. O cardeal Jorge Mário Bergoglio é jesuíta, de uma grande simplicidade e que não gosta de pompa.”
A missa durou aproximadamente uma hora e o nome do papa Francisco foi mencionado durante todo o rito. As preces e as orações do Pai Nosso e Ave Maria também foram dirigidas ao eleito. “Peçamos que Deus fortaleça e conduza a caminhada do papa e que ela seja traçada pelos ensinamentos de São Francisco e a candura de Nossa Senhora”, completou o monsenhor.
Ao fim da celebração, a professora aposentada Silvia Regina manifestou seu contentamento pela escolha do papa. “Acompanhei pela televisão e fique muito alegre. Em seguida vim para missa, rezar por ele. Foi uma boa escolha.” Na porta da igreja, a católica Cecília Nascimento amenizou o fato de o papa eleito ser argentino. “Estava na torcida pelo brasileiro, mas, para nós católicos, não influencia a nacionalidade do papa.”
Segundo o bispo emérito Dom Diógenes Silva Matthes, a eleição do papa foi “maravilhosa” e o gesto de pedir silêncio, as bênçãos e a oração dos fiéis o agradaram. “Ele conquistou o meu coração com esse gesto, também foi feliz na escolha do nome Francisco, um nome forte que lembra São Francisco de Assis e São Francisco Xavier, que foi jesuíta.”
De acordo com o padre José Geraldo, a foto oficial do papa Francisco deve começar a chegar às paróquias da Diocese de Franca dentro de 10 a 15 dias, e a eleição do primeiro papa da América Latina deve atrair ainda mais jovens fiéis do continente à Jornada Mundial da Juventude que ocorrerá no Brasil em julho deste ano.
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