O dito popular: “Quando a vida lhe der um limão, faça uma limonada” se aplica perfeitamente à história recente da educadora Claudete Paganucci Rubio. Há pouco mais de dois anos, Claudete viu sua agitada rotina na coordenadoria de curso do Centro Universitário Claretiano ser interrompida por um sério problema de saúde. De licença médica e sem ter que viajar todos os dias de Franca a Batatais, bem como cumprir expediente, encontrou na loja de presentes da filha um talento que desconhecia. “Para me distrair e também não ficar sozinha, eu acompanhava minha filha Roberta até uma loja de presentes que ela tinha nessa época. Sentada, eu ficava observando ela trabalhar com os artesanatos e comecei a ajudar nas confecções de caixas, enfeites e mosaicos”, revelou. “Percebi que eu poderia ir além daquilo que eu estava fazendo”, completou.
Com a saúde restabelecida, a rotina da coordenadora precisou dar espaço à rotina da artista. “Troquei meus dias de trabalho: folgo na sexta-feira e compenso no sábado. Com isso posso acompanhar meu marido até o ateliê que montei em seu armazém de café, local onde ele trabalha.” Lá, ela confessa passar boa parte do tempo livre. “É um espaço arejado, grande, e ficamos por lá até tarde da noite. Feriados e qualquer outra oportunidade é para lá que vamos.”
Desde que descobriu seu talento, Claudete já produziu 16 obras. A habilidade se desenvolveu e ela passou a inventar suas próprias técnicas, já que seu trabalho é intuitivo e nunca participou de cursos ou qualquer especialização. “Dei nomes para as técnicas que eu uso. Por exemplo, chamo de ‘chapados’ os mosaicos que, obviamente, não possuem nada em alto relevo. Os que são em alto relevo eu chamo de ‘3D.’” Segundo Claudete, as obras que intitula ‘3D’ têm chamado a atenção de quem conhece o mosaico de uma forma técnica. “As pessoas que entendem dizem que nunca viram essa técnica em alto relevo e que eu deveria investir nisso, mas eu não sei...”
Em alguns momentos da conversa, Claudete revelou certo temor em expor sua obra, embora receba incentivo e tenha consciência da beleza estética do que propõe: “Tenho vontade e receio de expor minhas peças porque não sei falar sobre técnicas. Se alguém me perguntar que técnica usei, simplesmente não sei responder. Sei explicar como fiz, os materiais que escolhi, mas sobre técnica, não.” Esse é um ‘medo’ que já vem sendo trabalhado. Falar e mostrar publicamente suas obras já foi um grande passo para a artista que não esconde o amor pelo que faz. “Quero muito juntar o material e fazer uma exposição. Eu me apego, crio um amor muito grande pelas peças e muitas vezes não quero vender. O engraçado é que se eu conhecer quem vai comprar o quadro, onde ele vai ser colocado, eu fico tranquila. Mas se eu não sei, fico insegura e acabo encontrando desculpas para ficar com eles (risos).”.
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