Intolerância do pastor


| Tempo de leitura: 2 min

Nem a derrubada dos vetos aos royalties chamou tanta atenção. Muito menos a possibilidade de um brasileiro ser eleito papa ou a morte do presidente venezuelano Hugo Chávez. Nos últimos dias, a escolha do deputado Marco Feliciano (PSC) para a Comissão de Direitos Humanos e Defesa das Minorias da Câmara vem dominando o noticiário, comentários na internet e posts das redes sociais. Pastor evangélico (é o fundador da Igreja Assembleia de Deus - Catedral do Avivamento), além dos protestos que multiplicaram por diversas cidades do País no final de semana, Feliciano enfrentou em Franca - quando esteve no templo de sua igreja localizada no Jardim Moema -, uma manifestação que reuniu cerca de duas centenas de pessoas.

Para quem não sabe, Marco Feliciano - de Orlândia, na região de Franca - foi eleito deputado federal no ano passado com mais de 211 mil votos e diz ter 30 mil seguidores no Twitter. E foi no chamado microblog que disparou pérolas que acabaram causando a ira nos defensores dos direitos humanos e dos direitos das minorias - notadamente entidades de defesa dos chamados LGTBs (lésbicas, gays, transgêneres e bissexuais). Em uma delas, disse: ‘africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé. Isso é fato. O motivo da maldição é polêmica’. E acrescentou: ‘sobre o continente africano repousa a maldição do paganismo, ocultismo, misérias, doenças oriundas de lá: ebola, Aids. Fome...(sic)’

Depois, insurgiu-se contra os homossexuais, chegando a dizer que ‘a podridão dos sentimentos dos homoafetivos levam (sic) ao ódio, ao crime, à rejeição. Amamos os homossexuais, mas abominamos suas práticas promíscuas’. Quem pensa assim, certamente não pode presidir uma comissão que defende justamente os direitos humanos. Mesmo depois destas claras demonstrações de intolerância, ele rejeita a acusação de ser racista e homofóbico e diz a resistência ao seu nome é fruto de perseguição religiosa e de ‘cristofobia’.

Mas deve saber o deputado e pastor que ‘o peixe morre pela boca’. E ele, com posições tão radicais, interpretando passagens da Bíblia de forma tão personalista, tem postura incompatível com o que se espera do presidente da CDH. O seu direito à opinião e de ter suas convicções,óbvio, não está em discussão. O que não é possível admitir é a intolerância de uma pessoa que deveria defender os direitos humanos como um todo e para todos. Ao se dizer perseguido, Marco Feliciano tenta reverter a situação a seu favor, posando de vítima. Mas suas próprias palavras são responsáveis pela grande repercussão que o caso vem tomando. Agora, os seus próprios colegas de parlamento já começam a se movimentar para anular a sua eleição e colocar em todos os seus postos elementos seriamente comprometidos com a causa que representa. O pastor Marco Feliciano pode - e deve - fazer valer suas crenças dentro dos templos que criou. Mas o deputado Marco Feliciano não pode usar sua posição para empurrar goela abaixo de todos suas posturas de preconceito inconcebíveis para aquele que deve defender a igualdade de tratamento entre as pessoas.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários