Marco Feliciano foge de manifestação em Franca


| Tempo de leitura: 3 min
Manifestantes vaiam o deputado-pastor que fez declarações homofóbicas e preconceituosas
Manifestantes vaiam o deputado-pastor que fez declarações homofóbicas e preconceituosas

O pastor e deputado federal Marco Feliciano (PSC- SP) esteve em Franca na noite deste domingo para celebrar um culto na Igreja Assembleia de Deus – Catedral do Avivamento, no Parque Moema.

No local, houve protestos contra ele.Cerca de 150 pessoas permaneceram na porta da igreja para protestar contra o cargo que Feliciano assumiu na última quinta-feira. O parlamentar é o novo presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal. O deputado é acusado de homofobia e racismo.

Em janeiro deste ano, ele foi denunciado pela Procuradoria Geral por discriminação após publicar na internet uma frase dizendo que os sentimentos dos homoafetivos levam ao ódio.

“Não é uma manifestação de intolerância religiosa, mas é contra a figura do deputado Feliciano, que já teve atitudes racistas e homofóbicas. Queremos mostrar para a população o que a figura dele representa. Ele preside uma comissão que representa as minorias, mas não é isso que tem feito até o momento”, afirmou o professor universitário Alex Dutra, 26, um dos participantes. Segundo ele, havia no local integrantes do movimento estudantil da Unesp e de movimentos sociais da cidade.

A realização do ato em Franca foi divulgada na internet, pelas redes sociais. O grupo confeccionou cartazes com frases como “Retrocesso não! Fora infeliz” e “Comissão é diferente de omissão de Direitos Humanos, fora Feliciano” e gritava em coro “Fora Feliciano”, “Chega de opressão, Feliciano não” e “Eu amo homem, amo mulher, tenho direito de amar quem eu quiser”. Os manifestantes também vaiaram o deputado. Eles ficaram em frente ao templo, na ruaCecim Miguel e avenida Nazira Aidar, em frente à Apae.

Dentro da igreja, aproximadamente 500 pessoas assistiram ao culto. Antes de iniciar sua participação, Feliciano louvou e bateu palmas durante as músicas. Ao mesmo tempo, do lado de fora, os gritos e vaias ecoavam.

A pregação do pastor Feliciano foi centrada no protesto. Em vários momentos, suas frases eram direcionadas aos manifestantes. Ele citou o líder político Martin Luther King ao lembrar suas palavras: “o que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”. Disse que estava feliz porque “mesmo com essa manifestação, nós temos liberdade aqui. Antes os crentes não tinham isso. Éramos chamados de protestantes.” E acrescentou: “Estão batendo em clara de ovo, que vai crescendo... Crente é igual pão porque quanto mais bate nele mais ele vai crescendo... É um direito deles [se manifestarem], mas o crente não faz isso. Ele põe o joelho no chão [para rezar].”

Feliciano pregou por cerca de 40 minutos, cantou e saiu de repente do templo. Alguns fieis disseram que ele ficaria até o fim do culto, mas como estava acompanhado da família ficou mais receoso com o protesto e decidiu antecipar a saída para tentar driblar os manifestantes que esperavam que deixasse a igreja no fim da celebração. Ele saiu escoltado por um carro e fieis que ficaram como seguranças na igreja. Os manifestantes gritaram quando o veículo passou e apontou os cartazes no vidro.

Marco Feliciano em culto ontem em Franca

A Polícia Militar permaneceu no local com quatro viaturas. Depois da saída do deputado da igreja, os policiais passaram um cordão de isolamento para cercar os manifestantes na rua. Nessa hora, o grupo gritava “a repressão chegou, a repressão chegou”.

O pastor Marco Feliciano, que é de Orlândia, preside a Igreja Catedral do Avivamento do Parque Moema em Franca e, segundo o pastor Rafael Otávio, havia programado de celebrar o culto na cidade neste domingo. “Ficamos sabendo da manifestação já eram quatro horas da tarde e graças a Deus tivemos apoio da polícia... É um direito deles”, disse o pastor Rafael. Fiéis foram chamados para reforçar a segurança na igreja. Ele disse que a programação do culto foi mantida. “Creio muito no que Jesus disse a Pedro, que as portas do inferno não podem prevalecer contra minha igreja, podem se levantar, mas jamais prevalecer.”

Ainda na noite de ontem, no site oficial do pastor Marco Feliciano havia uma nota de “repúdio ao ato de violência” sobre a manifestação em Franca e um comunicado da decisão de suspender a publicação das agendas no site.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários