Ainda falta muita coisa


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O anúncio da presidente Dilma Rousseff na última sexta-feira dando conta da eliminação de impostos (PIS/Cofins, IPI e ICMS) para mais oito produtos da cesta básica - carnes, café, óleo, manteiga, açúcar, papel higiênico, pasta de dente e sabonete (leite, feijão, arroz, farinha de trigo e massas, batata, legumes, pão e frutas já tinham sido beneficiados) - é um grande alento, mas não é o principal a ser feito. O barateamento de índices básicos de alimentação e de higiene permitirá que as camadas menos favorecidas da população consigam aumentar o seu poder de compra, o que não deixa de ser positivo. Quem acha, porém, que o caminho é este, está redondamente enganado.

Os números que vêm sendo divulgados pela Receita Federal nos últimos anos dão a verdadeira dimensão do peso que o brasileiro sente no bolso. Afinal, as sucessivas desonerações (ou renúncias fiscais) que contemplam os mais diversos setores da economia - numa tentativa de estimular o consumo e aquecer os setores produtivos brasileiros - não têm se refletido em uma queda da arrecadação do governo federal. Muito pelo contrário. A Secretaria da Receita tem anunciado resultados recordes a cada período, demonstrando que o que está saindo de um lado vem sendo compensado pelo outro.

Enquanto os setores produtivos e os trabalhadores brasileiros continuam arcando com impostos cada vez mais pesados e taxas de juros sem paralelo no mundo todo, não tendo contrapartida nos serviços públicos, principalmente nas áreas de saúde e educação, o governo distribui ‘bondades’ sabendo que o dinheiro vai continuar entrando. A redução dos impostos sobre produtos - principalmente os de primeira necessidade - é uma iniciativa admirável, mas enquanto o Brasil não conseguir conter o sorvedouro de dinheiro que permeia o Poder Público, em todos os níveis, não será possível comemorar.

A já cobrada reforma tributária nunca se tornou tão necessária como agora. Mas caso não haja uma conscientização geral dos agentes públicos de que mordomias e corrupção corroem grande parte da capacidade de compra do trabalhador brasileiro, não haverá chances de que nos tornemos um País de classe média, como a presidente Dilma Rousseff gosta de ressaltar. Enquanto as grandes corporações financeiras registrar lucros fabulosos - para uma carga tributária fantasiosa - e o setor produtivo continuar sendo vítima de uma tributação escorchante, comemorar estas desonerações é leviano.

Por isso, antes de tudo o governo federal precisa encontrar formas de fazer valer cada centavo pago em impostos. E isso passa pelo combate sistemático à corrupção, ao inchaço da máquina administrativa e às mordomias que muitos poucos usufruem e que não tem paralelo na grande massa trabalhadora do País. Já passou da hora de dirigir as preocupações ao bem comum, sem exceções, pois só assim o Brasil estará trilhando o caminho da política econômica justa, tirando realmente milhões de pessoas da linha da miséria - e, ao contrário do que o Planalto apregoa, ainda não acontece - e reconhecendo justamente quem produz e faz a Nação crescer. A partir daí, um verdadeiro efeito dominó acabará por refletir em todos os setores da economia, beneficiando patrões e empregados. Ou seja, todos os brasileiros, ao contrário do que acontece hoje.

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