16 raios atingem Franca por dia; neste ano já foram mais de 1 mil


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Raio atinge Franca, na região do Jardim Noêmia, na noite da última sexta-feira
Raio atinge Franca, na região do Jardim Noêmia, na noite da última sexta-feira

Basta o tempo ficar nublado, com nuvens cinzas e carregadas, para um show de luzes, proporcionado pela natureza, ter início. E tem sido mais frequentes raios cortando o céu de Franca neste ano. O espetáculo, ao mesmo tempo que encanta, traz medo. O número tem crescido de forma considerável e é preciso saber se proteger (leia texto nesta página).

Segundo dados do Elat (Grupo de Eletricidade Atmosférica), do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), de 1º de janeiro até 8 de março de 2013, 1.133 raios nuvem-solo (aqueles que atingem a superfície) “chicotearam” a cidade. A média é de aproximadamente 16 raios por dia. No mesmo período do ano passado, foram 643 descargas elétrica. O aumento é de 76%.

Ainda segundo estatísticas do Elat, anualmente, uma média de 4.300 raios do tipo nuvem-solo atingem Franca. O dado é baseado na análise da incidência de raios entre os anos de 1998 e 2011.

De acordo com os estudiosos, por enquanto, o índice de ocorrências em território francano é considerado normal, embora tenha ocorrido o aumento. Entretanto, ainda não é possível concluir as razões dele porque a comparação foi feita com um curto período de tempo.

O verão e a primavera, estações com temperaturas elevadas e grande incidência de chuvas, concentram o maior número de descargas elétricas.

RISCO DE TRAGÉDIA
Segundo o levantamento do Elat, a média anual de raios no Brasil é de 50 milhões. A principal explicação é o fato de o país ser o maior da região tropical do planeta, o que favorece a formação de tempestades em função das altas temperaturas e umidade.

Outro dado assusta ainda mais. A cada 50 mortes causadas por raios no mundo, uma é no Brasil. Em Franca, no dia 14 de dezembro do ano passado, um raio atingiu uma antena na casa do pespontador autônomo Nivaldo Mateus, 56, no Jardim Brasilândia, que trabalhava na varanda de sua residência e acabou tendo morte instantânea. O corpo da vítima foi carbonizado. O cômodo acabou incendiado e a pequena banca de pesponto que abrigava teve o telhado e máquinas destruídas.

No início de janeiro deste ano, outra tragédia no Brasil. Um casal de turistas morreu, de mãos dadas, na praia do Centro, em Bertioga, atingido por um raio. Thiago Ribeiro da Costa, 31, e a portuguesa Inês Cruz, 29, caminhavam pela parte rasa da água quando foram atingidos.

De acordo com o ranking de incidência de descargas elétricas por município, a cidade de Porto Real (RJ) apresenta a mais alta densidade no País, com uma média anual de 19,7 raios por quilômetro quadrado ao ano. Para se ter ideia da intensidade, São Paulo (capital) tem aproximadamente 11 raios por quilômetro quadrado ao ano.

Mas foi na capital do Rio de Janeiro onde foi registrado o recorde de raios numa só tempestade neste ano. Na última terça-feira, 2.149 raios cortaram o céu da cidade, entre as 16 horas e meia-noite. A maior concentração foi entre 16 e 20 horas, quando foram contabilizados 1.400 raios.

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