Ocorrências de Franca lotam Polícia Federal em Ribeirão Preto


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Imagem feita em agosto de 2009 mostra policiais na Morada do Verde durante a ‘Operação Quilate’ deflagrada pela Polícia Federal
Imagem feita em agosto de 2009 mostra policiais na Morada do Verde durante a ‘Operação Quilate’ deflagrada pela Polícia Federal

A Polícia Federal de Ribeirão Preto abrange 62 municípios, entre eles Franca. Trinta por cento dos inquéritos criminais que tramitam naquela unidade são referentes a ocorrências de Franca. São casos de fraudes contra a Previdência, sonegação, lavagem de dinheiro ou tráfico de drogas.

A cidade também responde por parcela significativa dos pedidos de passaportes, registro de estrangeiros, autorização para compra de produtos químicos e licenças para empresas de vigilância. “É uma demanda elevada que, efetivamente, justifica a abertura de uma delegacia em Franca. Apoiamos veementemente a instalação”, afirmou o delegado Lindinalvo de Almeida Filho, diretor da PF em Ribeirão.

O morador de Franca que precisa deixar o País para viagens de lazer ou negócios tem, necessariamente, que sair da cidade para solicitar o passaporte. A delegacia de Ribeirão é a mais próxima, mas, por causa da demora, muitos preferem fazer o documento em Uberaba (MG) ou até em São Paulo. A Polícia Federal não tem números específicos dos pedidos por cidades, mas garante que Franca está entre as primeiras do ranking. “Dentre o leque de serviços que a Polícia Federal oferece, Franca abocanha grande parte da demanda”, disse o delegado.

Atualmente, 294 procedimentos, entre ações penais, inquéritos policiais e outros feitos criminais, estão em tramitação na Justiça Federal de Franca. Responsável pela 3ª Vara, o juiz Marcelo Duarte da Silva acredita que o número dobraria facilmente em poucos meses se houvesse uma unidade da Polícia Federal na cidade. “A presença, além de permitir uma investigação adequada, ajudaria a coibir a ação das pessoas que se animam em cometer crimes porque sabem que a investigação é falha. A polícia precisa estar presente no local para saber o que está se passando.”

Duarte acredita que a localização estratégica de Franca, próxima à divisa com Minas Gerais e da rodovia Anhanguera, coloca a cidade como uma rota do tráfico. “Muita coisa deve passar por aqui, mas não sabemos a quantidade. Além do tráfico, tem o problema da moeda falsa, do contrabando e da sonegação fiscal. Com a delegacia da PF, a repressão seria mais eficaz. A necessidade já foi reconhecida pelo Ministério da Justiça. É questão de ter condições humanas e materiais.”

Em janeiro, representantes do Ministério Público Federal, da Justiça Federal, da Câmara Municipal e da Prefeitura de Franca encaminharam um ofício conjunto ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, pedindo para que a unidade seja instalada o mais rápido possível. A previsão não é animadora.

Na quarta-feira, o deputado federal Marco Ubiali (PSB/SP) se reuniu com o diretor de Administração e Logística da Polícia Federal, o delegado Fernando Durán Poch, para reforçar o pedido. Ouviu que a PF não tem o efetivo necessário para se instalar em Franca devido à impossibilidade de realizar novos concursos públicos.

Cidades menores como Araraquara, que tem 200 mil habitantes; Araçatuba com 178 mil, Cruzeiro que possui 74 mil e até Jales com cerca de 50 mil já possuem uma delegacia da Polícia Federal. Franca, com seus 320 mil habitantes, ainda não tem.

HISTÓRICO
Uma das ações mais expressiva deflagradas pela PF em Franca aconteceu em agosto de 2009, quando os agentes ocuparam a cidade para desarticular uma organização criminosa internacional voltada para o comércio ilícito de diamantes sem procedência legal e para a realização de operações de câmbio não autorizadas. A “Operação Quilate” prendeu sete pessoas em ações simultâneas.

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