Franca acaba de ganhar um representante na Seleção Brasileira de Natação Paralímpica. Após uma semana treinando com técnicos e avaliadores da seleção, em São Caetano, Guilherme Batista da Silva, 17, recebeu a confirmação, na última quinta-feira, de que está convocado para defender o Brasil em eventos de nível internacional. O objetivo do nadador, que possui apenas 10% da sua visão original, não é simples, mas nunca nada foi fácil na vida do nadador. Por isso, quem o ouve falar, acredita. “Quero chegar em 2016 (na Olimpíada do Rio de Janeiro)”, explicou e, logo em seguida, emendou uma curiosa superstição. “Minha primeira medalha conquistei em Franca, nadando em casa. Quem sabe minha primeira medalha pela seleção seja aqui no Brasil?”, enfatizou.
A carreira do francano nas piscinas foi meteórica. Há 4 anos, ele começou seu treinamento com Inaldo Wirz e Paulo Nazar, coordenadores do time de natação PCD de Franca. Com um poder de explosão impressionante, Guilherme se destacou nas provas de alta velocidade e logo ganhou suas primeiras medalhas. Após as conquistas regionais, ele passou a frequentar o selecionado estadual. “Graças aos resultados que conquistou, o Comitê Paralímpico passou a prestar mais atenção nele. Foi quando veio o convite para participar dos testes em São Caetano e, quinta-feira, recebemos a confirmação. Agora ele faz parte da seleção brasileira de jovens, que possui atletas até 19 anos”, explicou Wirz. “É uma honra ver um garoto que você treinou fazer parte dos 16 melhores atletas do Brasil”. Segundo o próprio atleta, todas essas conquistas são frutos de muita dedicação e também do apoio de sua mãe, Maria Elizabete Soares Silva, que deixou o emprego para se dedicar ao filho mais velho.
Guilherme começou a nadar por indicação da Associação de Cegos, que elegeu o trabalho de Inaldo Wirz como forma de melhorar a condição do jovem. O rapaz sofre com o Mal de Stargardt, uma rara condição degenerativa e irreversível, que começou a se manifestar aos 10 anos de idade. “Ia para a escola e percebia que não conseguia mais enxergar a lousa. Tive de me aproximar. Pouco tempo depois, mesmo sentando na frente, não conseguia ver nada”, lembrou Guilherme Silva. “Estava muito triste. Muito mesmo. Foi uma época difícil. A natação me ajudou a superar a tristeza e também minhas limitações. Hoje, vivo normalmente”,disse o atleta, que pretende fazer um curso superior de psicologia “ou algo do tipo”, daqui a alguns anos. Agora, o objetivo é treinar, treinar e treinar.
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