A Prefeitura ameaça cortar a verba de creches conveniadas que não concordam com o horário estendido, previsto por lei municipal. Pelo menos 20 entidades não assinaram o termo de cooperação mútua, emitido no dia 23 de janeiro e que sela o convênio com o governo municipal para este ano. Algumas entidades não entregaram a pesquisa sobre a preferência dos pais quanto aos horários de saída das crianças (leia texto nesta página).
A lei sancionada em dezembro do ano passado, pelo então prefeito Sidnei Rocha (PSDB), determina que as unidades funcionem das 6h30 às 18 horas e não mais até as 17 horas ou 17h30. Segundo a gestora de creches do município, Carmem Peliciari, quem não assinou o termo pode perder o repasse do governo federal, no valor de R$ 445.322,54 enviado ao município, que o distribuiu às entidades. A gestora, porém, não estipula prazo e aguarda as pesquisas.
As creches conveniadas atendem hoje, segundo a Secretaria de Educação, cerca 5.500 crianças, que podem perder a vaga e aumentar a fila de espera, que já é de mais de duas mil crianças, caso o impasse continue. “São crianças sendo atendidas. A gente não corta [a verba] assim não. Eles [dirigentes das creches] devem resolver isso rápido.”
CONFUSÃO
Carmem Peliciari disse ontem à reportagem não ter o número de creches que não assinaram o termo de cooperação. Também disse que não está recebendo as pesquisas do horário de saída, e que uma comissão das entidades estaria responsável por levantar os números. Porém, o presidente da creche “Eurípedes Barsanulfo”, Fábio Pereira Guilherme, um dos seis integrantes dessa comissão, disse que os levantamentos estão sendo entregues diretamente na Secretaria.
Fábio diz que o grupo formado este ano, para representar as entidades nas conversas com o poder público, teve a adesão de apenas 26 das 44 unidades conveniadas. O voluntário teme pelos prejuízos causados pela extensão do horário, como a falta de verba para pagar funcionários e o distanciamento da criança com a família. “Eu acredito que muitas creches vão acabar fechando se isso acontecer, porque não têm condições de pagar ou contratar novos funcionários. Mas acredito que o prefeito [Alexandre Ferreira, PSDB] vai entender esse lado”, disse Fábio.
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