Um grande terreno baldio na rua Laureano Antônio do Vale, na Vila Formosa, vem causando desconforto e medo aos moradores da região. O local virou um depósito de todo tipo de lixo. Há pneus, pias, privadas, móveis - de armários a sofás - colchões velhos e entulho de construção. Os moradores disseram que é comum encontrar também animais mortos. Além do cenário indigesto, o lixo serve de criadouro para o mosquito da dengue e outros animais peçonhentos.
“Já encontrei uma aranha dentro do berço do meu filho, escorpião direto a gente encontra. Jogam cachorro, galinha, até resto de porco já foi encontrado dentro de saco. Eles não têm consciência de que ali é uma área pública, encostam o carro e jogam o lixo”, disse o pespontador Edimar Cintra, que mora próximo ao local. Edimar também reclamou da falta de iluminação nas ruas próximas ao terreno e da insegurança causada pela escuridão.
Uma doméstica de 34 anos, que não quis se identificar, disse que mora na região há mais de cinco anos e, quando se mudou, o problema já existia. A moradora afirmou que a quantidade de animais peçonhentos dentro da sua residência é assustadora. Baratas, ratos e escorpiões são os mais comuns. Disse ainda que os problemas não são apenas o lixo, o mau cheiro causado pelos animais mortos e a infestação de bichos dentro de casa, mas também traficantes, que escondem drogas no terreno, e usuários, que as utilizam à luz do dia, sem qualquer receio.
Residente há 14 anos na região, uma dona de casa de 36 anos, que também preferiu não se identificar, alegou que a região sempre foi usada como lixão. Disse que muitas pessoas jogam lixo no terreno. Ela já encontrou um escorpião no banheiro e outro na garagem de sua casa, envolto de filhotes.
Um aposentado de 73 anos - morador na região há 54 anos - e que pediu para ter sua identidade preservada, disse que o problema do lixo é muito antigo. Desde o tempo em que não existia aterro e o local era um enorme buraco.
“Além de ter todo esse problema do lixo, do mau cheiro e de bichos dentro de casa, tem gente que pega e coloca fogo em sofás, pneus, colchões, tudo que seja inflamável, e eu tenho uma sobrinha que já ficou doente por causa da fumaça das queimadas”, disse um vizinho do terreno - cuidador de idosos de 34 anos - que pediu para não ser identificado. Ele também alegou que já viu todo tipo de veículo depositando lixo no terreno: carroças, Kombis, carros comuns e camionetes.
O medo dos moradores que pediram para não ser identificados é de represálias de traficantes da região que, segundo eles, usam o terreno para esconder drogas.
LIMPEZA
O diretor da Vigilância em Saúde de Franca, José Conrado Neto, disse ontem à tarde que o dono do terreno ainda não havia sido notificado pela Prefeitura, mas que uma equipe do órgão foi até o local.
“Fizemos a vistoria e constatamos o problema. Muitos criadouros de dengue, muita água parada, muito lixo. Devido às condições de extrema precariedade do local, traduzido na forma de perigo à saúde pública dos moradores da região, nós da Vigilância Sanitária solicitamos à Secretaria de Serviços e Meio Ambiente uma intervenção imediata no sentido de fazer a limpeza do local.”
Neto disse que a Secretaria iria iniciar a limpeza do terreno na manhã de hoje. Além disso, afirmou que o dono do terreno será notificado pela Prefeitura para manter o local limpo e bem sinalizado, com placas proibindo que mais lixo seja depositado. Segundo Neto, mais de 1.950 notificações para limpeza de terrenos sujos foram emitidas a seus proprietários só neste começo de ano.
Sobre a possibilidade de casos de dengue na região, em função da existência de recipientes que possam acumular água e ajudar na proliferação do mosquito transmissor, Neto disse que houve duas suspeitas de contaminação na Vila Formosa.
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