Após 122 dias, a DIG (Delegacia de Investigações Gerais) localizou e prendeu na manhã de ontem, em Ribeirão Preto, o acusado de assassinar a facadas a ex-mulher, uma dona de casa de 47 anos, e ferir com a mesma faca um sapateiro de 32. O crime ocorreu na madrugada do dia 28 de outubro, em uma residência na Vila São Sebastião. Um tapeceiro de 53 anos confessou o homicídio e a tentativa de homicídio. Ele foi recolhido em uma cela especial da cadeia do Jardim Guanabara, sem saber que está sendo acusado também de abusar da filha de 6 anos, na época em que residia com a ex-mulher na Vila Santa Rita. A principal testemunha é o filho de 8 anos, que disse ter assistido aos abusos.
Para entender a história que envolve o casal é necessário retornar no tempo. Os dois iniciaram um relacionamento há cerca de 10 anos. Desta união nasceram os filhos, hoje com 6 e 8 anos. As idas e vindas eram constantes, mas a separação definitiva ocorreu em abril do ano passado, após o tapeceiro colocar fogo na casa onde morava com a família, na Vila Santa Rita. A mulher e os filhos foram morar na Vila São Sebastião. O acusado, pouco tempo depois, passou a frequentar a residência da ex-mulher com o pretexto de ver os filhos.
Na noite do dia 27 de outubro, o tapeceiro pegou os filhos e os levou ao aniversário de um neto - ele tem filhos do primeiro casamento. Na madrugada do dia 28, o acusado deixou as crianças na festa e foi até a casa da ex. No local, ele se deparou com a ex-mulher dormindo ao lado do sa-pateiro. O tapeceiro atacou o casal com uma faca. O sapateiro, mesmo ferido, conseguiu fugir, foi socorrido e internado na Santa Casa.
O corpo da dona de casa, já sem vida, foi localizado de manhã por uma vizinha, que estranhou a porta da casa aberta. O autor fugiu e só foi localizado ontem, na casa de uma irmã, em Ribeirão Preto.
ABUSOS
Com a prisão do tapeceiro, vieram à tona denúncias de que ele teria abusado sexualmente da filha quando a família residia na Vila Santa Rita. A história foi narrada pela menina. Ela disse que o pai “colocou o pipi no meio de minhas pernas”. A principal testemunha é o irmão. O garoto contou que bateu no pai para não mexer com a irmã, mas não conseguiu impedir os ataques.
“Os meus sobrinhos contaram que a mãe deles ficou sabendo e, ao ameaçar contar para família, ele colocou fogo na casa”, disse ontem, na porta da DIG, uma irmã da dona de casa que pediu para não ser identificada. Ela cuida das crianças e registrou as denúncias na DDM. A menina passará por exames no IML (Instituto Médico Legal) na próxima segunda-feira.
O acusado foi levado para uma cela especial da cadeia do Jardim Guanabara sem saber do registro da ocorrência no qual é acusado de abusar da filha.
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