Seguindo à risca um roteiro já conhecido - e muito mal esquematizado -, quando a classe política (em todos os níveis) quer continuar empurrando com a barriga qualquer deliberação, a Câmara Municipal de Franca deixou passar uma grande oportunidade de mostrar que os tempos são outros. No Brasil, ultimamente, usa-se qualquer tipo de reunião capaz de esclarecer qualquer fato de relevância para o cidadão mas no final das contas, não há resultado prático ou satisfatório. Joga-se a sujeira para debaixo do tapete, como a externar: ‘convocamos’. E depois, nada...
Foi o que fez a Câmara na sua sessão ordinária da última terça-feira, quando o secretário de Serviços e Meio Ambiente, Ismar Tavares, foi convocado para explicar a polêmica que envolve a origem do material usado na construção da Praça Zumbi dos Palmares. Há cerca de um mês o Comércio informou, com exclusividade, que terra retirada do Cemitério Santo Agostinho teria sido usada no aterro daquele bem público. Passado todo este período, não houve quem na Prefeitura viesse a público explicar a situação. Aguardam-se laudos da Cetesb para se descobrir uma possível contaminação do solo ou se há entre o material usado restos mortais.
Ou seja: assim como em Brasília, usou-se um tempo que seria bem empregado caso houvesse, entre os vereadores de Franca e do próprio secretário um real interesse em resolver a questão. Mas não foi isso o que se viu. A sessão de anteontem serviu para cumprimentos dirigidos ao secretário Ismar Tavares que, por sua vez, não prestou nenhum esclarecimento sobre um assunto que despertou interesse da opinião pública e para o qual se aguarda uma posição oficial.
A falta de interesse de parte a parte e de perguntas objetivas que pudessem ajudar a esclarecer algo, coloca em xeque a intenção da nova Câmara de cumprir o que se esperava: arregaçar as mangas e trabalhar para apagar completamente o trabalho improdutivo dos integrantes da legislatura anterior. Porque os francanos ainda continuam esperando que os legisladores francanos se antecipem às investigações do Ministério Público e apresentem respostas às inúmeras perguntas que se fazem desde que a reportagem foi publicada: foi usada mesmo a terra do cemitério? Se foi, quem autorizou? Caso tenha autorização, o responsável sabia que poderia haver restos mortais dos cadáveres exumados? Se, ao contrário, não houve autorização, o que a direção da secretaria tem a dizer? Há descontrole nos processos internos da repartição? Falta comando?
São perguntas que todo mundo queria - e poderia fazer - mas os vereadores, em sua maioria, evitaram qualquer questionamento. Além disso, impediram que oposicionistas fizessem suas colocações. Se nem o autor do requerimento para que Ismar Tavares fosse à Câmara (Luiz Vergara, do PSB) abriu a boca (disse que estava satisfeito com as explicações do secretário ao jornal Comércio da Franca), quem haveria de? Enquanto isso, Franca continua sem saber: qual terra foi usada na Praça Zumbi dos Palmares?
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