O Conselho Tutelar recolheu, na manhã da última terça-feira, um garoto de 5 anos, filho de uma sapateira de 25, moradora no Jardim Portinari, e entregou a guarda provisória da criança para o pai, morador em Cristais Paulista. Segundo o conselheiro Marcelo Mambrini, a criança foi agredida com um pedaço de fio, na semana passada, e ainda apresentava marcas nas pernas.
A denúncia foi feita por uma médica da UBS (Unidade Básica de Saúde) do Jardim Guanabara, que atendeu o menino na última segunda-feira. Ainda segundo Mambrini, a sapateira foi notificada para ir ao Conselho prestar depoimento, mas não apareceu. Por isso, a criança foi recolhida. A mãe ficou abalada com a decisão. (Clique aqui e ouça a entrevista completa).
De acordo com a mãe da criança, ela trabalha e deixa o menino de 5 anos mais seu outro filho de apenas 2 com uma babá. Na semana passada, a cuidadora teria dito para a sapateira que flagrou o irmão mais velho em “atos obscenos” com o bebê. “Ela disse que meu filho mais velho estaria pegando as partes íntimas dele e colocado no meu filho menor, de 2 anos.” A mãe assume que bateu no filho para “corrigi-lo”. “Cheguei em casa e dei umas varadas nele”, assumiu.
No fim de semana, segundo a sapateira, o menino foi deixado na casa de uma amiga da família - que não é a babá -, no Residencial São Vicente, porque esta senhora estaria “com saudades da criança”. Porém, segundo Mambrini, a mulher seria a babá e o garoto foi deixado por uma semana no local, sem atenção da mãe.
A cuidadora levou a criança, segunda-feira, para uma consulta de rotina na UBS do Guanabara e a médica constatou os hematomas nas pernas do garoto, que disse ter apanhado da mãe com um pedaço de fio. “Ao invés de dialogar com a criança, buscar saber o que estava acontecendo, ela preferiu aplicar um corretivo de modo exagerado”, disse Mambrini.
De acordo com o conselheiro tutelar, há cerca de um mês, quando a sapateira se separou do segundo marido - pai do filho de 2 anos -, uma denúncia chegou ao órgão, também dando conta de agressões ao menino mais velho. Pela reincidência e por não ter atendido à notificação, o conselheiro achou melhor retirar o menino. “A criança mais velha foi entregue ao pai, para que possa ser tirada desse ambiente. Fui pessoalmente levá-la para a cidade de Cristais Paulista.”
O pai ganhou a guarda provisória do garoto, enquanto o bebê de 2 anos continua com a mãe. O caso continua em discussão no Conselho Tutelar, e pode ser encaminhado para a Vara da Infância e Juventude. “Não é nosso interesse retirar a criança deste ou daquele lar, mas a denúncia partiu de um órgão público de Saúde, onde a criança estava sob os cuidados de uma babá há mais de uma semana, sem o contato da mãe”, finalizou Mambrini.
Segundo o conselheiro, como a criança de 2 anos não sofreu maus-tratos, ela continua com a mãe, mas o pai foi alertado da agressão ao menino mais velho.
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