No estrangeiro é difícil compreender porque o Brasil não dá certo. Temos tudo para vencer a miséria e alcançarmos altos índices de desenvolvimento mas, por falta de um programa sério de governo, caminhamos em solavancos, quando não em marcha-ré. Basta ver o que acontece com o uso do álcool como combustível. No ano de 1984, 95% dos carros produzidos no Brasil usavam o álcool combustível. Os proprietários estavam satisfeitos com o rendimento e o País economizava importância fabulosa reduzindo a importação do petróleo. Os produtores de cana desenvolveram modernas técnicas de produção e conseguiram no campo importantes índices de produtividade.
O Brasil caminhava para sua independência energética consumindo um produto genuinamente nacional, de baixo custo, correto ecologicamente, gerando grande quantidade de empregos e com os resultados econômicos ficando em nossa terra. Faltou sequência ao programa e já em 2001 somente 1% dos carros produzidos no Brasil eram a álcool. Jogamos fora um programa notável por falta de continuidade e de seriedade. Hoje, com os conflitos no Oriente Médio, o petróleo volta a alcançar preços altíssimos colocando em risco nossa economia. Felizmente já produzimos expressiva quantidade de petróleo e bastará uma programação séria e sem interrupção para que o Brasil possa ficar totalmente independente neste setor. E o álcool volta a ser de grande importância neste processo, pois facilmente servirá para completar o combustível que falta, sem necessidade de importar petróleo. Além da produção de uma energia limpa e renovável, a cana-de-açúcar gera uma imensidão de empregos.
As fábricas de automóveis colocaram à venda carros com os chamados motores flex (podendo usar alternadamente gasolina ou álcool de acordo com o interesse, no momento, dos seus proprietários). É medida notável que garante benefícios aos consumidores e uma estabilidade quanto aos preços dos combustíveis, bem como nossa independência de importações.
Mais uma vez o Brasil tem uma grande oportunidade de alcançar neste setor grande desenvolvimento econômico e social. Mas, é preciso que esta oportunidade não seja perdida por falta de uma decidida ação governamental que dê sequência ao programa, porém sem interrupções danosas para os produtores, consumidores e para o Brasil.
Welson Gasparini
Deputado estadual (PSDB), advogado e ex-prefeito de Ribeirão Preto
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