Crescimento e competência


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O ministro Guido Mantega, da Fazenda, apareceu na semana passada nos meios de comunicação para “anunciar e comentar” os números oficiais do desempenho da economia brasileira em 2012. Os dados do crescimento do PIB brasileiro, que chegou a 0,9%, são do IBGE, os quais todos nós já conhecíamos como sendo o “pibinho”. Quem viu o ministro expor seu arrazoado, notou que ele atribuiu o fraco desempenho da economia brasileira aos maus ventos soprados pela economia internacional que castigaram o Brasil. Segundo o ministro “2012 foi um ano de PIB fraco, abaixo das expectativas, mas com trajetória positiva, de aceleração que vai continuar em 2013”. Oxalá!

Mas, convenhamos, não é bem assim. Os números são decepcionantes, salvando-se apenas o setor de serviços que teria crescido 1,7%. A agropecuária apresentou uma taxa negativa de 2,3% e a indústria de 0,8%. Com isso, o PIB brasileiro em 2012 só superou o dos países europeus, quase todos abatidos pela crise que os assola já há alguns anos. Nosso desempenho também foi o menor dentre os chamados BRICs: a Rússia cresceu 3,4%, a Índia 5,0%, a China 7,8% e a África do Sul 2,5%. Completando a linha de comparações, o México apresentou crescimento de 3,9% e os Estados Unidos de 2,2%. Estamos no bloco dos retardatários, com samba-enredo desenxabido.

Afora eventuais “contribuições” da economia internacional para o desempenho aquém do esperado da economia brasileira no ano passado, seria interessante conhecer as verdadeiras causas desse trôpego caminhar. As respostas, ao contrário da simplificação ministerial e do seu apressado otimismo para 2013, abrange um espectro considerável. Senão vejamos.

A taxa de formação bruta de capital vem oscilando negativamente. Em 2012, o investimento ficou em 18,1%, quando deveria ser quase o dobro. Apesar dos esforços para “mostrar serviço”, temos investido pouco, sejam os empresários, seja o Governo. O tal “instinto animal” dos empresários (que a Presidente Dilma quer ver despertado) não tem mostrado a cara. Receio de enfrentar o temido ‘custo Brasil’? Medo de mudanças institucionais abruptas? Carga tributária excessiva? No setor externo, o Mercosul só nos cria problemas. Por outro lado, como temos dado preferência e facilidades para o consumo, acreditando ser este o elemento dinâmico da economia, eventuais descompassos com a oferta são supridos pela importação, um verdadeiro desestímulo para a indústria nacional.

Na gestão de projetos, o governo não tem dado bons exemplos. Na realização de investimentos também, apesar de alardear propósitos mirabolantes, como o do Trem Bala. Perdoem a repetição, mas é importante mencionar a respeito de gestão a malfadada obra de transposição das águas do Rio São Francisco, ou o caso das centrais eólicas – prontas e em funcionamento – sem as necessárias linhas de transmissão. E por aí vai. O Brasil precisa desenvolver-se e, para que o PIB cresça, é preciso mais que desejo. É necessária disposição para investimentos, reformas e competência.

Vicente P. Oliveira
Economista

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