Maior hospital público da região, único da cidade que atende pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde), a Santa Casa de Franca ameaça mais uma vez cortar procedimentos médicos se não conseguir R$ 5 milhões dentro de suas semanas. O hospital não tem dinheiro nem para comprar suprimentos e deixou de pagar seus fornecedores em janeiro e fevereiro. Uma situação difícil e preocupante, pois se a Santa Casa deixar de atender, milhares de pacientes de Franca e cidades da região ficarão sem a quem recorrer em caso de urgência médica. Já foram suspensas, ontem, terça-feira, a realização de cirurgias eletivas e os atendimentos no setor de ortopedia. Com isso, mais de 3 mil pacientes deixarão de ser atendidos por mês, mantendo-se apenas as urgências e emergências. Caso não haja uma solução em 15 dias, o atendimento pode parar, dizem os dirigentes do hospital.
Não é a primeira vez que a Santa Casa ameaça paralisar todos os procedimentos. E caso o governo do Estado - que estuda formas de sanear as finanças do hospital, mas diz que já contribuiu com mais de R$ 27 milhões à instituição desde o ano passado - não ofereça uma saída, desenham-se dias bastante difíceis e conturbados para a saúde pública de Franca. Afinal, além dos postos de saúde e prontos-socorros, apenas a Santa Casa atende aqueles que não contam com plano de saúde. Os outros dois hospitais locais só atendem aos segurados e particulares.
À parte a defasagem na tabela do SUS que, reclama a Santa Casa, não recebe reajustes há 10 anos (em que pese a inflação acumulada no período) e que paga valores aviltantes para os procedimentos, deve-se ressaltar que a administração da Fundação Santa Casa de Misericórdia local também vem contribuindo para este rombo nas contas. Decisões equivocadas, pessoal administrativo em excesso e falta de controle nos gastos tornaram-se evidentes nos últimos anos. Junte-se a isso os valores pagos pelo SUS. Exemplificando: a tabela da União paga R$ 443 para um parto normal que custa R$ 900, R$ 478 para uma diária de UTI de R$ 1 mil e R$ 36 para um exame de broncoscopia que custa R$ 250, em média. Desta forma, alega o hospital, é impossível trabalhar.
E a situação não acontece apenas aqui. Os exemplos - excetuando-se hospitais universitários e geridos pelos governos estaduais - são abundantes Brasil a fora, com hospitais sucateados, endividados e sem uma saída para evitar qye deixe ao relento quem mais depende deles: a população de baixa renda, que só conta com a saúde pública e não pode ser negligenciada desta forma. Por isso, espera-se que o governo do Estado, que tem se mostrado suscetível à situação difícil da Santa Casa de Franca, apresente um plano que permita a recuperação do hospital, para alívio dos moradores desta grande região Nordeste do Estado de São Paulo. A continuar a situação como está é possível que a instituição entre em colapso, com resultados imprevisíveis e, certamente, funestos.
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