Ismar Tavares nega ter mandado pôr terra de cemitério em praça


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O secretário de Serviços, Ismar Tavares, diz que determinou a abertura de um procedimento para descobrir se houve mesmo uso de terra de cemitério em praça
O secretário de Serviços, Ismar Tavares, diz que determinou a abertura de um procedimento para descobrir se houve mesmo uso de terra de cemitério em praça

Quase um mês após a polêmica ter vindo à tona, o secretário municipal de Serviços e Meio Ambiente, Ismar Tavares, quebrou o silêncio e falou pela primeira vez sobre o suposto uso de terra do cemitério Santo Agostinho na construção da praça Zumbi dos Palmares. Entrevistado pela reportagem do Comércio da Franca, ele negou que tenha dado a ordem para o serviço e afirmou ter aberto procedimento interno para a apuração dos fatos. As revelações foram feitas na véspera do depoimento que prestará à Câmara. Nesta manhã, Ismar vai ao plenário dar explicações sobre a obra aos vereadores.

A praça foi construída entre julho de 2006 e novembro de 2007. No mesmo período, cerca de 250 túmulos foram exumados no Santo Agostinho. Segundo denúncia feita ao Ministério Público no fim do ano passado, funcionários da Prefeitura teriam usado terra com restos mortais para compactar a obra. A ordem teria partido de Ismar, então coordenador de serviços do município. A atual vereadora Valéria Marson (PSDB) era a secretária de Serviços e chefe de Ismar no período.

O caso foi revelado pelo Comércio da Franca no último dia 10 de fevereiro. Desde então, a Prefeitura se recusava a comentar as denúncias, prática que gerou críticas e motivou a abertura de dois procedimentos na Câmara. Os vereadores aprovaram um requerimento cobrando explicações do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) e outro convocando Ismar Tavares para responder perguntas dos parlamentares. Ele será ouvido na sessão de hoje.

Na manhã de ontem, enquanto preparava um relatório com dados e fotos para apresentar aos vereadores, o secretário recebeu a reportagem do Comércio e antecipou as informações que dará na Câmara. Ismar se eximiu da responsabilidade, mas não descartou a hipótese de terra do cemitério ter sido usada na praça. “Na época, havia muitas obras em andamento e o movimento de terra era grande na cidade. Não tinha como eu estar ligado a tudo. Se alguém levou para a praça, a ordem não partiu de mim. Estou com a consciência tranquila.”

O secretário disse que a determinação era para que a terra que sobrou das exumações fosse levada para o aterro sanitário. Antes do transporte, os restos mortais teriam sido separados e guardados no ossário. “Se no meio do caminho pegou outro rumo, eu não sei. Determinei a abertura de uma investigação para a devida apuração dos fatos.”

Ismar afirmou que uma empresa será contratada para analisar a terra e esclarecer se há contaminação ou não.

O secretário também negou que tenha sido chantageado por um servidor que teria feito fotos dos restos mortais na praça. Sobre o fato de só ter aceitado falar após ser convocado pela Câmara, alegou ter adotado a cautela por estar mexendo com diversos fatos e pessoas. “A prudência falou mais alto para mim”, disse Ismar Tavares. (Clique aqui e ouça a entrevista na íntegra). 

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