Sapateiros e indústrias de calçado de Franca parecem ter chegado a um acordo sobre o reajuste salarial da categoria. No final da tarde de ontem, assembleias dos sindicatos aprovaram o aumento de 9% nos salários. Com este índice, o piso passa de R$ 751 para cerca de R$ 820 a partir de junho, já que o reajuste será fracionado: 8,5% já sobre o salário de fevereiro, a ser pago neste mês, e 0,5% sobre o vencimento de junho, a ser pago em julho. Apesar do aumento acertado, dois outros pontos devem travar o acordo.
Após a assembleia com os trabalhadores, o presidente do Sindicato dos Sapateiros, Fábio Cândido, chegou a anunciar o fim da greve. Mas o movimento pode não ter terminado, já que a proposta aprovada pelos trabalhadores não foi aceita integralmente pelas indústrias, que discordaram sobre o aumento na PLR (Participação nos Lucros e Resultados) e a maneira como serão descontos os dias parados durante a mobilização.
Segundo a assessoria de imprensa do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), o problema aconteceu porque Cândido teria apresentado aos sapateiros um acordo fechado entre comissões dos dois sindicatos, que ainda precisava do aval dos empresários para ser ratificada. Mas as duas assembleias aconteceram ao mesmo tempo.
Na reunião com os sapateiros, o presidente do sindicato informou que as indústrias teriam incrementado a proposta anterior - aumento de 7,59% nos salários e pagamento de 94 horas de PLR (Participação de Lucros e Resultados) - para 9% e 104 horas, respectivamente. No entanto, segundo o Sindifranca, a reivindicação da PLR foi rejeitada, com a proposta de 94 horas se mantendo.
Cândido acrescentou que outro acordo firmado foi que os trabalhadores que ficaram três dias parados deveriam pagar dois deles em serviços nas fábricas e o terceiro seria pago pelos proprietários. A afirmação não foi confirmada pelo Sindifranca, que, no comunicado, revelou que a forma de pagamento dos dias parados foi recusada.
Fábio Cândido disse ainda que foram feitos acordos individuais com nove empresas, apesar de o Sindifranca ter orientado os calçadistas a não recorrer à prática. “A greve foi vitoriosa. Ela despertou a capacidade de luta dos trabalhadores, que estava adormecida durante mais de 20 anos. O mais importante [da greve] foi o saldo político e termos nos aproximado do número que reivindicamos.” A proposta defendida pelos sapateiros era um aumento salarial de 10% - sendo 6,6% referente à inflação e o restante de aumento real.
BALANÇO
As paralisações das fábricas começaram na última quarta-feira, 27, e continuaram até a manhã de ontem, 4. Segundo estimativas de Fábio Cândido, aproximadamente 15 fábricas foram paralisadas e sete mil sapateiros cruzaram os braços durante a greve.
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