Como já foi dito nesse espaço, a matéria publicada por este Comércio no último domingo, 24/02, deixou muita gente com o ‘cabelo em pé’. A idéia de jovens, crianças e adolescentes estarem soltos na madrugada com muito funk e atitudes inconsequentes, desafiando a sociedade e as autoridades com álcool, drogas e danças sensuais acabou caindo como uma bomba na cidade, o que fez com que o pancadão se tornasse assunto em todas as rodas durante praticamente toda a semana.
Em função disso, as autoridades que na semana passada se disseram de mãos atadas resolveram por a mão na massa e agir de uma vez, apostando na preservação de certos valores compactuados socialmente nos dias de hoje e, consequentemente, nas normas legais que os regem.
Na sexta-feira aPolícia Militar montou uma operação especial para acabar com esses encontros, contando para isso com a ajuda do Conselho Tutelar e de outros órgãos da administração pública. Já na primeira sexta-feira, o ‘pancadão’ do Distrito Industrial estava esvaziado. O trabalho das autoridades se reumiu a revistar pessoas em algumas aglomerações espalhadas pela cidade, mas não registrou nada mais grave. De toda forma, as autoridades afirmaram que vão continuar a agir nos pontos de encontro mais problemáticos e que irão atuar no sentido de identificar os responsáveis pelo som alto e pelo fornecimento de drogas e álcool, pois eles acreditam que possa estar havendo corrupção de crianças e adolescentes no que diz respeito ao uso dessas substâncias.
Por outro lado, a Promotoria da Infância e Juventude e a Polícia Civil analisaram as fotos feitas pelo Comércio no último domingo e agora vão aguardar os resultados dessas operações para poder agir em relação aos atos que forem considerados infracionais.
A questão agora é esperar para ver se os organizadores e os frequentadores do ‘pancadão’ vão se manter inativos - para evitar o confronto - , ou vão apenas reucar, esperando que o tempo e a inércia social abaixem a poeira levantada para voltar à tona. .
De qualquer modo, e a despeito dos resultados dessa operação, é importante não perder de vista o foco social da questão. Para o bem ou para o mal, todos sabem que a PM não conseguirá manter essa megaoperação para sempre, tanto por problemas de estrutura como pela de efetivos.
Se a sociedade e as autoridades francanas não pensarem nos aspectos sociais e educacionais da questão, nem no médio prazo, atendo-se somente à intervenção policial, corremos um sério risco da assistirmos a muitos outros ‘pancadões’ assim que a PM abaixar a guarda e voltar as suas atividades normais.
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