“Mãos na cabeça. Virado para a parede”. Centenas de jovens ouviram esses comandos na madrugada deste sábado. E não tinha como escapar. Rapidamente, viaturas das Polícias Militar e Civil, Guarda Civil, Conselho Tutelar e Fiscalização da Prefeitura tomaram quatro pontos estratégicos da cidade, conhecidos pela aglomeração de jovens aos finais de semana, cercando-os com um efetivo intimidador. Talvez por isso, nenhum confronto tenha sido registrado. A ordem era abordar quem estivesse presente. No point mais conhecido, a rua Vicente Richinho, no Distrito Industrial, palco do “pancadão” (“baile” funk regado a bebidas, drogas e sexo), apenas silêncio.
Em quase duas horas da megaoperação, que sitiou a cidade, um carro furtado foi recuperado e três pessoas que ocupavam o veículo foram presas, algumas multas por irregularidades foram aplicadas, uma loja de conveniência foi notificada pela Prefeitura por suspeita de vender bebidas para menores e seis adolescentes - entre 13 e 14 anos - foram levados para casa pelo conselheiro Marcelo Mambrini. Os dados deles foram registrados e os pais serão chamados no Conselho.
‘FORÇA-TAREFA’
Passava da 0h40. As viaturas, enfileiradas na frente da 5ª Companhia de Polícia Militar, ao lado do Parque “Fernando Costa”, começaram a tomar posição. Algumas estacionaram do lado esquerdo da avenida, na calçada. Parecia um grid de largada da Fórmula 1. Cerca de uma hora antes, uma reunião entre as autoridades responsáveis pelo trabalho definiu os últimos detalhes da ação. Um grande comboio, com 15 viaturas, rompeu o marasmo da avenida Chico Júlio e esquentou a madrugada de 19ºC.
Primeiro alvo: o posto de combustíveis entre as avenidas Wilson Sábio de Mello e Severino Tostes Meirelles, no Distrito Industrial. Tudo foi rápido. Os jovens, que aos poucos se aglomeravam no local, não tiveram como correr. “Está abordado”, diziam os policiais. Os militares ostentavam armas e vigiavam o trânsito. No local, foram abordados os seis menores de idade. “Nenhum deles estava em ato infracional, apenas os levamos para casa, por estarem sem responsáveis”, disse Mambrini.
Cerca de 15 minutos depois do início da operação, partiu a ordem dos comandantes: era para fecharem a Vicente Richinho. Quatro viaturas chegaram pela Wilson Sábio de Mello e duas foram pela outra ponta da via. Dois carros e uma moto foram parados e estavam sem irregularidades. Três mulheres e um homem foram flagrados usando cocaína.
A empreitada continuou no posto Select, na Alonso Y Alonso. Todos que estavam estacionados com seus veículos foram abordados. A maioria aparentando ser de classe média-alta. Nem as mulheres escaparam. As revistas, neste caso, foram feitas por policiais femininas. Tudo corria tranquilo até que um Gol cinza, com cinco jovens, passou pela avenida, em direção ao Galo Branco. Um deles gritou, insultando os abordados. A viatura da Força Tática os buscou para prestarem esclarecimentos, no próprio posto.
Em comboio novamente, as autoridades partiram para a avenida Champagnat. O destino era uma boate onde o público fica aglomerado na calçada. Dezenas de jovens começaram a correr quando o “batalhão” se aproximou, mas poucos escaparam dos policiais. Os abordados foram enfileirados, revistados e liberados.
Assim terminou a operação para evitar o “pancadão”. E a festa, flagrada no dia 15 na rua Vicente Richinho pelo Comércio, não aconteceu. Pelo menos, não neste sábado. As operações vão continuar e um balanço deve ser divulgado na segunda-feira.

Guardas observam menores de idade que estavam em posto da avenida Severino Tostes Meirelles
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