Irmãs que acusam pastor por abuso sexual são ameaçadas


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A adolescente de 15 anos e sua irmã de 12 acusam o pastor evangélico José Elias da Cruz de abuso sexual
A adolescente de 15 anos e sua irmã de 12 acusam o pastor evangélico José Elias da Cruz de abuso sexual

Janelas fechadas, cortinas cerradas, telefones desligados e um código para atender à porta constantemente trancada. A vida das duas irmãs, de 12 e 15 anos, que denunciaram o pastor José Elias da Cruz, de 53 anos, líder da Igreja Paz no Vale, do Jardim Redentor, por abuso sexual mudou desde que elas resolveram procurar a polícia. Hoje elas vivem com medo. As duas estão sendo ameaçadas. São mensagens pelo computador, em redes sociais e emails, e ligações nos celulares avisando que devem morrer, que destruíram a vida de um homem e que por isso devem pagar.

Com medo, o pai das menores proibiu que saíssem de casa. Elas não vão à escola desde que o caso veio à tona, na segunda-feira, 25. Também não podem mais usar o computador ou o celular, que foram “confiscados” pelo pai. Para atender à porta de casa, adotaram um código que apenas os familiares conhecem. “Tenho medo porque elas não sabem se defender. Então, tenho evitado que saiam ou falem com outras pessoas. Até mesmo quem se mostrava amigo já nos prejudicou. Prefiro que fiquem em casa”, disse o pai.

As mensagens na internet são de perfis anônimos. “Dizem que querem que eu morra, que vão me atacar na rua, que destrui a vida do pastor. Mas não fiz nada errado, só contei a verdade. Ele é que não agiu certo”, afirma a garota de 15 anos.

Para o pai, as ofensas e ameaças partem de fiéis da igreja que apoiam o pastor. “Eles acham que as meninas estão mentindo. Mas por que fariam uma coisa tão grave como esta? Minhas filhas não têm malícia. Elas são meninas simples, tímidas e quietas. Não bebem, não saem à noite, não namoram. Por que inventariam algo assim?”, disse a mãe delas.

Apesar das ameaças, as duas não pensam em retirar a queixa ou mudar seus depoimentos. “O que ele fez com a gente não é certo. Deus sabe que o que estamos falando é verdade. Não vamos desistir. Quero que ele seja preso e pague pelo que fez”, disse a garota de 15 anos. O pastor José Elias teve a prisão preventiva decretada e, até sexta-feira, estava preso na Cadeia do Guanabara.

O pai das supostas vítimas espera que, com a prisão do pastor, a vida da família volte à rotina. “Sei que nunca mais seremos os mesmos. O que aconteceu não tem como esquecer. Mas temos fé em Deus. Espero que as ameaças parem e que as minhas filhas possam ter paz. Elas já sofreram demais. Elas são as vítimas.”

Na denúncia, as irmãs alegaram que o pastor introduzia o dedo na vagina e ânus delas durante o que chamava “processo de libertação do espírito da sensualidade”.

RISCO
Além das duas meninas, uma das testemunhas do caso, uma mulher que frequentava os grupos de oração na casa do pastor e teria presenciado os abusos em duas ocasiões também foi ameaçada. “Na quinta-feira, assim que a notícia da prisão do pastor se espalhou, uma mulher ligou para o meu celular me xingando e dizendo que eu iria para o inferno. Com a voz bastante alterada, ela disse que iriam quebrar meu carro e me atacar.”

A testemunha, que não quer ser identificada, disse que não reconheceu a voz, mas acredita que seja de alguém ligado à Igreja Paz no Vale. “Sei que é o pessoal que apóia o pastor, que continua cego para o que ele fez. Na hora fiquei assustada, mas agora, pensando melhor, não tenho medo.”

Ela disse que não pretende mudar as declarações que fez à polícia. “O que contei é apenas a verdade. Falei sobre o que vi e não achei certo. Tenho certeza de que Deus está me apoiando. Não vou voltar atrás. Quero que ele seja condenado pelo que fez.”

Apesar de se dizer tranquila, a testemunha não quer apresentar queixa formal de ameaça à polícia. “Não vai adiantar. Eles vão continuar [com as ameaças]. Acho que só fizeram isso porque o pastor havia sido preso, mas não pretendem concretizar nada.”

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