Para o pai, filho deveria ter ficado mais tempo detido


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O empresário Antônio Farias, 58, foi pego de surpresa com a triste notícia da morte de um de seus quatro filhos ontem. Às 6h30, o telefone de sua casa tocou. Era uma funcionária do IML (Instituto Médico Legal) pedindo para que ele fosse ao local acompanhado de algum familiar reconhecer um corpo, que possivelmente seria de Lucas Apolinário de Faria, 31. “Eu fui até lá e não me deixaram entrar. Claro que a gente pensa que não é o nosso (filho)”.

Ele reconhece que o filho foi imprudente, mas divide a culpa com as autoridades. Na sua opinião, a nova Lei Seca permite que mais casos como este aconteçam. “Se prendeu a pessoa com problema de excesso de álcool e soltou depois, é uma negligência muito grande. Não interessa quem foi. Eles pegam o dinheiro da fiança, fazem a multa e depois liberam para matar alguém?”, falou.

Atualmente, a Lei Seca combate motoristas que “peguem” um veículo tendo quantidades de álcool ou substância psicotrópica alucinógena ilícita no corpo. Motoristas flagrados com quantidade superior a 0,33 mg/l incorrem em crime de trânsito. O Código de Trânsito Brasileiro estipula pena de seis meses a 3 anos de prisão, pagamento de multa e suspensão da CNH (Carteira Nacional de Habilitação). O condutor pode até responder ao processo em liberdade, mas para isso deve efetuar o pagamento da fiança arbitrada pelo delegado.

Na opinião do empresário, o pouco tempo que ficou detido entre a blitz e o pagamento da fiança não foi suficiente para o filho eliminar toda a substância do corpo. “O álcool não iria sair em apenas quatro horas”.

Ontem à tarde, em meio a muita emoção e tristeza, parentes e amigos da vítima estiveram presentes no cemitério da Saudade para prestar a última homenagem ao eletricista. Uma pequena celebração foi feita por um padre ao lado do túmulo personalizado da família Apolinário Faria.

Textos bíblicos e orações pareceram não consolar os presentes. Próximo das 17 horas, o corpo do eletricista foi sepultado por funcionários do cemitério e pôs fim a mais uma tragédia provocada pela combinação perigosa entre álcool e direção.

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