O pastor José Elias da Cruz, acusado por quatro mulheres (sendo duas menores de idade) de abuso sexual, já esteve preso. A informação é da Delegacia de Polícia de Itaú de Minas, sua cidade natal, e faz parte da investigação feita pela DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Franca.
A delegada Graciela Ambrósio David, responsável pelo caso, disse que ainda não tem detalhes sobre a prisão do suspeito. “As investigações ainda estão no começo. Ainda não sabemos o tempo que ele teria permanecido preso nem o período em que isso ocorreu. Tudo está sendo objeto de apuração. Só temos confirmada a prisão”, esclareceu.
Na cidade mineira, o pastor ainda responderia pelos crimes de furto, estelionato, receptação e crimes eleitorais. “Já estamos solicitando à polícia mineira que nos passe as informações sobre estes casos para que possamos embasar nossa investigação sobre quem é este pastor.”
Segundo a delegada, o que se sabe até o momento é que José Elias da Cruz seria natural de Itaú de Minas, onde teria fundado a Igreja Paz no Vale. O pastor teria vindo para Franca sozinho há pouco mais de um ano, deixando em Minas a mulher e a filha de 17 anos.
Seu primeiro emprego aqui teria sido na igreja Assembleia de Deus. A reportagem tentou entrar em contato com a Pastora Sara, a quem José Elias teria sido subordinado, mas ela não atendeu às ligações.
Pouco meses depois, Elias teria resolvido abrir em Franca uma filial de sua própria igreja, a Paz no Vale. Com a ajuda de amigos, teria alugado um pequeno cômodo comercial nas proximidades da Avenida Moacir Vieira Coelho, no Jardim Redentor.
Lá, realizava os cultos todos os dias da semana, sempre à noite. Sua atenção era voltada para os jovens, que representavam mais da metade dos cerca de cem fiéis que frequentavam a igreja. O pastor José Elias também tinha o costume de visitar as famílias em suas casas. Normalmente, na hora do almoço. Nestes encontros, ele aproveitava para benzer o imóvel e ficar sozinho com as fiéis.
Também era muito comum que convocasse os jovens para correntes de oração em sua casa no Jardim Boa Esperança. Nestas ocasiões, rezava com os garotos em grupo. Normalmente, as orações entre os homens não passavam de 15 minutos. Com as mulheres, era diferente. As orações eram feitas individualmente e podiam durar até uma hora.
Segundo as supostas vítimas do pastor, ele tinha o estranho costume de usar duas calças: uma de agasalho e outra social.
De acordo com alguns fiéis da igreja, o pastor não escondia de ninguém seu passado. “Ele dizia que já tinha se envolvido com o mundo do crime, que já tinha sido preso, mas que Deus tinha agido em sua vida e ele agora era um homem dedicado à formação dos jovens”, disse uma das entrevistadas que pediu para não ser identificada.
A delegada Graciela Ambrósio disse que as investigações para tentar localizar o pastor José Elias da Cruz continuam. Ontem, mais uma vez, a reportagem esteve em sua casa, mas ninguém atendeu a porta. Também tentou-se contato através dos três números celulares informados pelos fiéis. Por volta das 15 horas, em um dos números, atendeu uma mulher que se identificou apenas como Gabriela. Ela confirmou que o número era do pastor, mas disse que ele não se encontrava. Depois não quis dar mais informações e desligou. Durante o resto do dia, o Comércio tentou entrar novamente em contato, mas o telefone permaneceu desligado.
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