O Jardim Zelinda está abandonado. Essa é a opinião dos moradores de local, que se queixam do descaso das autoridades em relação a uma escola desativada do bairro, à presença de mato alto e de usuários de drogas num parquinho e à falta de creches.
Um dos principais problemas, segundo eles, é a situação da Escola Municipal “Professor Jerônimo Francisco Costa”, na rua Professor Cláudio Junqueira. Desativada há aproximadamente dois anos pela baixa demanda (leia em texto desta página), ela serviu, até ontem, de casa temporária para dois irmãos, o tratorista Francisco Pinto Ferreira, 57, e o pedreiro Baltazar Pinto Ferreira. As casas onde eles moravam na Vila Gosuen desabaram há cerca de duas semanas, e a secretaria de Ação Social, desde então, deixou os dois na escola. Ontem, a pasta levou ambos para o Abrigo Provisório da cidade.
Mas tal uso emergencial não é o motivo para acalmar os pais de crianças em idade escolar, cujos filhos têm que ir de ônibus para a escola municipal “Professor e Escritor Nelson dos Santos Damasceno”, no Jardim Bonsucesso. “O ponto de ônibus não é coberto, e as crianças podem tomar chuva. Elas podiam estudar na escola abandonada”, disse o prensista Élcio Neves, 37, pai de um garoto de 6 anos que estuda na “Nelson Damasceno”.
Outro problema apontado é o mato alto do bairro. Um canteiro da rua Cláudio Junqueira, em frente à escola desativada, se transformou em um verdadeiro matagal. “O bairro está desleixado. O mato aqui não é limpo desde o começo do ano passado”, reclamou o sapateiro Paulo de Oliveira, 73. A dona de casa Tatiane Estela, 25, afirma que já viu até cobras no matagal.
Mãe de um menino de um ano e seis meses, a dona de casa aproveitou para se queixar da falta de creches no bairro. “Na creche do Parque Esmeraldas, só havia quatro vagas e uma lista de espera de 50 crianças. Eu não trabalho porque não tenho ninguém para cuidar do meu filho”, disse.
O Jardim Zelinda também possui uma área de lazer com um campo de futebol e um parquinho de madeira. Apesar das instalações estarem em boas condições - com a exceção de telhas quebradas espalhadas pelo chão e a rede deteriorada de um gol - o problema são os visitantes do local. “Tem uma moçada que fica fumando droga no parquinho. Eu me sinto incomodada, às vezes não posso nem ficar do lado de fora, porque eles não gostam nem que olhem para eles. O policiamento é pouco, tem semana que eles nem vêm”, afirma a pespontadeira Eliane Tasso, 44.
OUTRO LADO
A chefe da seção da Seção de Comunicação Social da Polícia Militar, a capitão Cláudia Regina Nunes Lança, informou que os policiais militares da área têm conhecimento do problema no parque do Jardim Zelinda. Além disso, ela afirmou que o capitão Sabino, comandante da 5ª Cia. da PM, vai determinar a intensificação do patrulhamento no bairro e especialmente no parquinho.
A reportagem entrou em contato com o secretário municipal de Serviços e Meio Ambiente, Ismar Tavares, mas, até o fechamento desta edição, ele não havia respondido os questionamentos da sobre o mato alto no bairro.
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