Aquela pedra Quiló...


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Na edição passada do Clubinho falamos sobre um meteoro de quase 6 toneladas que caiu sobre o sertão baiano e ali ficou por mais de 100 mil anos até ser descoberto por um menino que acompanhava seu pai vaqueiro na lida com os bois. Hoje trazemos um poema escrito por um índio aculturado ( que já sabia falar e escre-ver em português) e que tem por tema este meteoro co-nhecido como “a pedra de Bendegó’. O índio, batizado Manoel Joaquim de Sá, chama o meteo-ro de “Quilá” e “Quiló”. Afrânio Peixoto, escritor e folclorista, diz que na língua indígena estas palavras significam “pedaço de ferro que caiu do céu”. O poema é de 1784, data em que o garoto encontrou o meteroro. Leia. É interessante.

Aquela pedra Quiló...

“Aquela pedra Quiló
Na infância de minha avó
Uma medonha faísca
Fez no espaço uma risca
E caiu no Bendegó
O estampido e o pó
Retumbou e quis sufocar
E indo a esse lugar
Grande concurso de gente
Achava-se ainda quente
Aquela pedra Quiló

Com a maior segurança
Deus a pôs nesse lugar
Ninguém a pode abalar
Nem dar-lhe certa mudança
E porque tem circunstância
Com esta certeza vê
Que nesta terra não há
Só se for a Virgem Pura
Tem ciência e está segura
Aquela pedra Quiló

O defunto capitão-mor
Benedito Carvalho da Cunha
Nesse tempo se dispunha
Trazê-la do Bendegó
Achou-a firme qual nó
Como ainda hoje está
Carro de bois levou de cá
Com toda sua companhia
Não trouxe como devia
Aquela pedra Quilá

Depois que ele morreu
Ainda veio um viandante
Ver se era diamante
Porém não a conheceu
O malho nela bateu
“Esta pedra não é má
Porém jeito nenhum dá”
No mesmo dia voltou
E intacta ficou
Aquela pedra Quilá”

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