Após uma semana de mobilizações, o Sindicato dos Sapateiros conseguiu chamar a atenção de trabalhadores de cinco fábricas em Franca, sendo quatro no Distrito Industrial e uma no Jardim Paulistano. Parte dos funcionários da Free Way, Tenny Wee, Stival, Tarragona e Pipper aderiu ao movimento grevista no primeiro dia de paralisação. O presidente do Sindicato dos Sapateiros, Fábio Cândido, acredita que dos 27 mil trabalhadores existentes na cidade, 3 mil cruzaram os braços nesta terça-feira. Para Cândido, o primeiro dia de mobilização foi vitorioso e deve continuar hoje.
Muitos funcionários chegaram a trabalhar no período da manhã, mas devido à movimentação nas portas das fábricas não voltaram após o almoço e permaneceram no local acompanhando a atuação dos representantes do Sindicato. “Queremos 10% de aumento e vamos lutar para isso”, disse Cândido. A movimentação dos sindicalistas teve início pouco depois das 5 horas da manhã e durou o dia todo.
Acompanhado por um caminhão de som, Fábio Cândido percorreu as principais fábricas do Distrito Industrial convocando os trabalhadores para a greve. O sindicalista alega estar aberto às negociações tanto no âmbito coletivo quanto individual. “Assim que teve início a greve, fomos procurados por 12 fábricas que ofereceram entre 8,5% e 9% de aumento, mas não abrimos mão dos 10%.” A categoria rejeitou os 7,13% de aumento oferecidos pelo Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca).
O sapateiro WMC não trabalhou ontem, mas também não foi para casa. Ele passou o dia acompanhando a movimentação do Sindicato. “Temos que correr atrás para resolver isso logo. Não podemos desistir agora, temos que ir até o fim. Achei a proposta oferecida pelas fábricas injusta.” Da mesma forma, pensa a auxiliar de produção PGS. “Espero que a greve funcione porque precisamos acreditar nos nossos direitos. Com o salário que ganhamos hoje, ou pagamos aluguel ou comemos. Por conta disso, a situação está muito tensa hoje [ontem].”
Confiante, o pespontador JBP espera que a greve termine rápido, mas torce para conseguir o reajuste de salário. “Tomara que dure apenas dois dias. Mas para que isso aconteça, o aumento proposto pelas indústrias precisa ser maior. Acho que um aumento de, no mínimo, 15% seria o ideal.” A auxiliar de produção ACB acredita que a greve não passa de três dias. “Só que não devemos aceitar essa proposta do patronal. Nas fábricas fazemos serviço que é de até três pessoas, ganhando menos que outras categorias.” Os trabalhadores só aceitaram falar desde que não fossem publicados seus nomes.
O presidente do Sindicato afirma que a mobilização continuará nesta quarta-feira na expectativa de aumentar o número de adesão. “O desafio foi lançado e não vamos parar. Vamos continuar até parar fábrica por fábrica.”
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