Um grupo de 18 pesquisadores de Franca deu a largada em um projeto que vai identificar os problemas ambientais em APPs (Áreas de Preservação Permanente) e RLs (Reservas Legais) próximas a Restinga (SP). O assentamento da Fazenda Boa Sorte e a antiga Estação Ferroviária da Alta Mogiana/Fepasa do Mandiú serão os pontos estudados, tendo sido escolhidos pela sua riqueza ambiental e pelos impactos sofridos em suas áreas por causa da presença do homem. Os locais abrigam uma microbacia hidrográfica onde se encontram o Córrego dos Bagres e o rio Sapucaí-Mirim e apresentam uma vegetação de transição entre a Mata Atlântica e cerrado.
O projeto foi idealizado ainda em 2011 pela consultora do Idesufran (Instituto de Desenvolvimento Sustentável de Franca), Ângela Maria Pimenta. O estudo está orçado em R$ 60 mil e parte da verba - R$ 48 mil - já foi repassada pelo Fehidro (Fundo de Recursos Hídricos do Estado de São Paulo), em dezembro do ano passado. Os R$ 12 mil restantes farão parte da cota do Idesufran, destinada a gastos com recursos humanos e infraestrutura.
Os estudos começaram neste sábado com previsão de término em setembro. Ao todo, 18 pesquisadores participam da iniciativa, entre geólogos, biólogos, historiadores, turismólogos, agrônomos e ecólogos.
O objetivo do Idesufran é diagnosticar a fauna e a flora dos dois locais e descobrir os impactos ambientais que sofreram. De posse destes dados, os pesquisadores vão elencar orientações para restaurar, recuperar e recompor a flora e a fauna da região. Outro foco é suprir a carência do município em informações técnicas, científicas, sociais e ambientais das áreas.
Segundo Ângela, os fragmentos da vegetação que ainda existem no assentamento e na Estação formam importantes corredores ecológicos ligando os municípios de Restinga e Franca e são importantes para a conservação dos recursos hídricos da região. “A mata ciliar precisa ser recomposta. Sem ela, a água segue o curso, mas não é alimentada pela vegetação, já que é dela que saem os frutos para os peixes, por exemplo. Assim a água fica empobrecida, diminui, os peixes somem e o rio pode secar”, afirma Ângela.
O grupo espera contar com a ajuda da população local, como os assentados do Boa Sorte, além de instituições locais e escolas, na coleta de informações. Haverá apresentação do projeto no começo das atividades, e, ao fim dele, será feito um seminário com os resultados para auxiliar na conscientização ambiental.
A pesquisa também inclui levantamento histórico e a elaboração de um inventário turístico da região, que vai identificar a infraestrutura do turismo e o interesse dos excursionistas no local.
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