Cento e sete raios por dia. Segundo dados do Elat (Grupo de Eletricidade Atmosférica), do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), essa é a média de descargas elétricas que atingiram o solo de Franca somente em 2013. Apesar da “violência” da natureza, a cidade não teve vítimas fatais neste ano. Porém, várias pessoas perderam seus bens materiais, queimados durante tempestades, e não tiveram os valores ressarcidos pela CPFL Paulista, responsável pelo fornecimento de energia elétrica no município.
Segundo o coordenador do Procon de Franca, William Karan Júnior, só na última semana, cinco pessoas procuraram o órgão por terem perdas materiais e não conseguirem um retorno positivo da empresa. A média tem se mantido desde o início do ano e tende a aumentar nos próximos dias, segundo o coordenador do órgão de defesa.
Karan orienta que, em casos de descargas elétricas atingirem a rede da CPFL Paulista, a empresa é obrigada a indenizar a vítima. Caso o problema seja particular, no imóvel, não há esse direito. “O ideal é a pessoa, assim que notar um eletrodoméstico queimado, ligar para a CPFL e registrar uma reclamação, avisando ‘queimou os aparelho X, Y e Z’. A CPFL tem dez dias para analisar e dar um parecer. Se não der resposta, a pessoa deve procurar o Procon”, disse Karan.
É importante que o protocolo de atendimento seja anotado. O órgão notificará a empresa e, caso uma solução não seja encontrada, o consumidor ganha encaminhamento direto para o JEC (Juizado Especial Cível), dependendo do valor do dano. Cabe ao cliente decidir se dará prosseguimento na ação.
SEM SOLUÇÃO
Em 20 de setembro de 2010, a sapateira aposentada Célia Maria Cintra, 43, moradora no Jardim Petráglia, perdeu dois computadores, um telefone sem fio e um interfone após uma forte descarga elétrica. “Foram várias ligações [para a CPFL], vários números de protocolo. Eles diziam que eu tinha que aguardar, mas não tive êxito. Fui ao Procon, marquei audiência e também não tive êxito.” Segundo laudo da CPFL Paulista, não havia sinais de descarga no terreno da casa da sapateira.
O conserto ficou em torno de R$ 500 na época e foi pago pelo seguro que Célia tinha com um banco. Ela também paga R$ 4 mensais pelo seguro da CPFL, mas não obteve retorno até hoje. Ela não ingressou com ação na Justiça e aguarda o resultado.
MUITO TRABALHO
Quem comemora a época das chuvas é o técnico em eletrônica Wagner Augusto Redondo, 42, dono de uma loja de consertos na Vila Santa Cruz. O comerciante tem recebido até seis pedidos de orçamento por dia. Os televisores são os aparelhos que mais sofrem danos. “As tevês queimam com mais frequência. Nos equipamentos novos, de LCD e LED, por exemplo, tem que ser feita a substituição da placa”, disse. O conserto pode demorar até três semanas e ficar bem caro. E evitar o transtorno é fácil. “Para evitar que os aparelhos queimem o melhor é desligá-los da rede elétrica, ou da antena. É o método mais fácil”, disse o técnico.
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