Escolas inseguras


| Tempo de leitura: 2 min

Depois da tragédia de Santa Maria, autoridades de todo o país começaram a mostrar serviço em termos de fiscalização das condições de funcionamento dos vários espaços públicos que se oferecem às aglomerações ou que naturalmente recebem um grande número de pessoas em seu funcionamento cotidiano.

Em Franca, obviamente, a cena se repetiu. Escaldadas pelos tristes acontecimentos em terras gaúchas, as autoridades competentes do município começaram a mostrar serviço na semana seguinte ao incêndio da boate Kiss, como se a fiscalização e as exigências para o funcionamento desses espaços não fossem uma obrigação natural e corriqueira do poder público, mas apenas uma ação reativa às tragédias vistas de longe.

E os resultados não demoraram a surgir. Logo nos primeiros dias de fiscalização algumas casas noturnas foram fechadas e seus responsáveis orientados a resolverem os vários problemas que se apresentavam em termos de equipamentos de segurança, o que não chegou a surpreender os francanos.

Mas o que ninguém esperava, no entanto, é que esses resultados negativos fossem bater com tanta veemência na porta das escolas da cidade, um dos espaços mais frequentados por boa parte das crianças e adolescentes francanos em sua vida cotidiana. De acordo com uma investigação feita pela Promotoria de Habitação e Urbanismo, uma em cada três escolas da cidade está irregular em termos de segurança, colocando em risco a vida de alunos, professores e funcionários.

As escolas públicas, obviamente, são as campeãs em irregularidades. Para se ter uma idéia do descaso por parte do poder público francano e estadual, que no discurso enfatizam a importância da escola e da educação, mas na ação cotidiana praticamente a desprezam, 100% das escolas 62 estaduais estão irregulares há mais de um ano e 71 das 72 municipais apresentaram problemas. Absurdo é a única palavra que cabe para descrever esse cenário.

Mas o que mais assusta quando nos inteiramos do conteúdo dessa investigação é que ela começou há cerca de três anos, muito antes da tragédia em Santa Maria. Instadas a apresentarem documentos comprovando a segurança dos imóveis onde funcionam, boa parte das escolas nem se deu a esse trabalho. E durante todo esse tempo, quase nada foi feito para sanar os problemas. Escolas, Prefeitura, Estado, comunidade e até o próprio Ministério Público praticamente ignoraram a notificação feita pela Promotoria, ou pelo menos demonstraram que a esqueceram, o que deixa a impressão de que se não fosse esse triste acidente talvez essas irregularidades ainda ficassem completamente esquecidas por um bom tempo. É triste, mas é o que parece.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários