Somar forças


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‘Acompanho sua coluna sempre. Sou sua contemporânea, estudei também no IEETC e imagino que seu pensar é partilhado por uma legião de amigos seus (nossos)...’

Minha leitora segue: ‘Continue falando dos valores que aprendemos e hoje estão esquecidos, ignorados... Quem sabe, veremos ainda os princípios que aprendemos, valorizados e praticados no nosso dia a dia’. (Dalva Célia de Souza, leitora).

A leitora Dalva, ex-companheira de bancos escolares, podia continuar em sua casa, tranquila, em silêncio, apenas observando a deterioração das práticas cidadãs neste mundão louco que estamos (todos!) admitindo. (Eu disse “admitindo”. Sim, somos solidários com o que grassa por ai: má educação, falta de respeito, violência, insegurança. E, especialmente, impunidade.)

Estou me cansando de dar notícias sobre pequenos e grandes bandidos. De saber menores cooptados pelo crime matando e traficando sob a égide da lei. De testemunhar ‘bom comportamento na cadeia’ resultar na soltura de criminosos infames que mataram sem dar qualquer chance de defesa às suas vítimas. De falar sobre pais que estupram filhos como se isso fosse nada. De ver lares, último bastião do cidadão de bem, tornado pátio de recreio, arma na cabeça, para criminosos contumazes que continuam soltos porque cometem apenas ‘crimes de menor poder ofensivo’ segundo legisladores cercados de seguranças e residentes em fortalezas.

Só para ilustrar, esta semana a polícia perseguiu, em Franca, quatro ocupantes de carro em desabalada fuga por boa parte da cidade. Atravessaram a avenida Adhemar de Barros e – sorte, mão de Deus, sei lá – não causaram uma tragédia. Atropelaram, e não pararam para dar socorro, senhora que saia de sua casa em uma moto. Foram detidos e apenas o condutor restou preso, não pela fuga, nem por haver colocado gente em risco e nem por omissão de socorro! Deu azar. Tinha, contra si, condenação anterior! Não tivesse, possivelmente também voltaria às ruas, já que a senhora atropelada resolveu ‘não dar queixa’! Não quis atendimento de bombeiros ou do Samu. Suas razões? Talvez tenha avaliado o que significaria dar-se a conhecer. Optou pelo anonimato. Houvesse representado, seria identificada pelo atropelador, constrangimentos sem fim à vista. Como eu disse, somos solidários!

A atitude dela é o retrato deste tempo. Estamos amedrontados e impotentes. Há um grande desafio a ser empreendido: leis adequadas, justas e eficientes só podem nascer de legisladores atentos, éticos, corajosos e desapegados do exercício do poder.

Todos sabemos disso, mas, individualmente, nada podemos. (Esta semana, 1,6 milhões de assinaturas – alcançadas pela Internet – foram dadas a conhecer em Brasília, exigindo o afastamento de Renan Calheiros da presidência do Senado. Riram-se, os poderosos, da tentativa.) Sem presença ‘física’, coragem, ausência de medo de mostrar a cara, nada feito. Votar sem preocupação alguma, esquecer-se de quem votou, deixar o eleito livre, leve e solto no exercício do cargo sem cobrá-lo sempre e com rigor, leva a coisas do tipo. Esses, que sorvem do poder, se maravilham com benesses e mordomias que se reservam aos sem caráter e se locupletam quando o eleitor conive, autoriza...

BASES CIDADÃS
As dezenas de manifestações sobre ‘coisas simples’ que andei recordando nos últimos textos que publiquei aqui, me remetem a consultar meus leitores quanto à possibilidade de um encontro. Certamente há outros que, como Dalva, pensam em falar sobre valores que tínhamos, e que se perderam.
Não seria um bom motivo? Então vamos! Poderíamos dar origem a um Pensamento de Bases Cidadãs para estimular ‘conversa adequada’ em casa, nas escolas, em centros comunitários, em comunidades religiosas, em clubes, tudo baseado em ações de gente que se tornou grande, feliz, formou família responsável, estimulou nos filhos a prática das tais ‘coisas simples’ e se retirou do mundo, considerando que a missão já estava cumprida. Pois é. Não está. Temos que recomeçar.
Temos – e, humildemente, me incluo – que voltar. Vale ex-estudantes do IEETC, como disse Dalva, mas vale também ex-professores e professores da ativa. Vale ex-diretores. Vale a meninada de hoje que acha que o que descrevemos aqui, é importante. Vale a professora a quem agradeci na última coluna por ter levado à leitura de companheiras um dos textos desta série de artigos. Vale às incontáveis pessoas simples que se manifestaram pessoalmente, ou por telefone, ou por e-mail, ou por carta escrita à mão e endereçada a mim pelos Correios. E vale a qualquer um que se motivar.
Se comparecerem ninguém ou só alguns, sorriremos uns para os outros, ou eu sorrirei para mim mesmo e continuarei a escrever aqui. Eis ai, Dalva Souza, João Bittar Filho, Paulo Rubens de Almeida, José Ramon Ribeiro, Amir Antônio Miguel, Cláudio Antônio Borges, Valdes Rodrigues, Maurilo Casemiro, Dora Bordignon, Adriane Miqueletti, Rubens Antônio Calixto, Acir Matos Gomes, Normando Antônio Paim, José Antônio de Almeida Tuquetti e tantos outros e outras, anônimos ou não, a oportunidade de fazer diferença.

O CAMINHO...
Professoras que, em exercício conjunto completaram o ‘espaço em branco’ disponível em uma de minhas recentes colunas, gostaram da experiência. Soube que levaram o desafio também à sala de aula. Estimularam seus alunos a procurarem ilustrações de ‘coisas simples’ e montarem cartazes. O resultado está no Facebook. Rastilho de pólvora? O mérito é de quem lê, compreende, multiplica. Palavras boas não têm que se perder no vento...

ONDE E QUANDO?
Provável data para o ‘encontro’, o início da segunda quinzena de março. Na próxima semana, detalho. Se quiser dizer algo que apoie ou conteste as ideias aqui expressas, escreva a luizneto@comerciodafranca.com.br.

Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br

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