Os supostos maus tratos estariam ocorrendo há mais de um ano, segundo os adolescentes ouvidos pelo conselheiro Marcelo Mambrini e pela delegada Graciela Ambrósio. Mas foi a última agressão, no início da noite de quarta-feira, que levou os jovens ao Conselho Tutelar.
Um dos internos, de apenas 12 anos, no início da noite, ao chegar da escola, teria sido acusado pelo porteiro de furtar uma chave. Ele negou, se virou para ir à sua casa, mas foi agarrado pelo denunciado com uma gravata e arrastado até o pátio. Ao perceber que o menino estava sem fôlego, o acusado o soltou. Foi neste momento que o garoto teria cuspido sangue, gerando revolta nos outros internos.
Na quinta-feira, um dos adolescentes de 16 anos procurou Mambrini no Conselho Tutelar e relatou o que estaria ocorrendo no Recanto. O conselheiro esteve na instituição, fotografou manchas de sangue, ouviu seis internos e levou o caso ao conhecimento da DDM.
“A maioria (dos internos do Recanto) tem comportamento complicado, nós reconhecemos isto. Mas a bem da verdade, são crianças e adolescentes que já vieram de lares desestruturados, que já sofreram todo tipo de violência fora da instituição. Foram vítimas de negligência, abusos, maus tratos. O comportamento complicado não os obriga a sofrerem mais agressões do que já sofreram”, disse Mambrini.
“Eu não quero prejudicar ninguém. Só não quero ser agredido e que nenhum abrigado seja agredido por um funcionário da instituição”, disse, em depoimento, o adolescente de 16 anos que levou os fatos ao Conselho Tutelar.
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