A quadrilha de golpistas que atuava em dez estados brasileiros fraudando vestibulares do curso de medicina desistiu de agir em Franca, no vestibular realizado pela Unifran em 2012. A informação é do delegado da Polícia Federal de Araraquara, Alexandre Eustáquio Perpétuo Braga, um dos responsáveis por investigar o caso envolvendo 38 instituições que tiveram seus processos de seleção fraudados em quase dois anos.
Segundo a PF, a quadrilha abordava os estudantes interessados em uma vaga no curso de medicina de instituições particulares e cobrava de R$ 5 mil a R$ 80 mil pela aprovação no vestibular. As vagas eram oferecidas aos estudantes em cursinhos por pessoas que tomavam conhecimento do esquema ou dele se beneficiaram em algum momento.
O delegado de Araraquara afirma que a investigação teve início naquela cidade a partir de uma denúncia feita por um reitor de uma das universidades atingidas pelos golpistas em novembro de 2011. O nome da Unifran chegou a aparecer na investigação. “A Universidade de Franca seria um dos alvos da organização criminosa, porém, em razão de alguns atropelos operacionais, desistiram da ação”, disse o delegado. Em 2012, a Unifran realizou o primeiro vestibular de medicina com 60 vagas. As provas foram aplicadas no campus de Franca e ainda em São Paulo e Goiânia (GO), onde parte da quadrilha foi presa.
O caso foi inclusive noticiado pelo Comércio em dezembro do ano passado e também alvo de uma matéria exibida pelo programa da Rede Globo, Fantástico, no começo de janeiro. “Foram contatadas apenas as universidades atingidas pela ação criminosa. A quadrilha desistiu da ação em Franca. Mas isso não significa que a Universidade de Franca não tenha sido vítima da ação de outros grupos criminosos e/ou que aqueles que nós prendemos não tenham atuado contra a instituição em outra época. Portanto, havendo indícios de que a Universidade de Franca foi alvo dos quadrilheiros, ela será provocada a se manifestar”, disse o delegado Alexandre Braga, ressaltando que no vestibular deste ano não foram realizadas nenhum tipo de investigação em Franca. “Pelo menos, não pela delegacia de Araraquara”, disse o delegado.
UNIFRAN
A assessoria de imprensa da Unifran reforçou, em nota enviada via e-mail, que a instituição não recebeu nenhuma informação oficial da ocorrência de fraude no vestibular de 2012. “Se for constatado qualquer tipo de ilícito ao final das investigações, a Unifran tomará todas as providências cabíveis e expulsará sumariamente o fraudador”, diz a nota.
O vestibular do curso de medicina foi aplicado pela Fundep (Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa), situada em Belo Horizonte (MG), que informou, também em nota, que todos os candidatos passam por minucioso processo de identificação podendo portar somente caneta de material transparente, documento de identificação e o Comprovante Definitivo de Inscrição (CDI), sendo monitorados durante todo o período de realização da prova.
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