O delegado assistente da Seccional de Franca e também vereador, Daniel Radaelli, afirmou que os entorpecentes estão ligados a 93% de todos os delitos praticados na cidade no ano passado. Das 12.998 ocorrências, 12.088 foram causadas por traficantes ou viciados, o que segundo o delegado faria dos entorpecentes os ‘principais inimigos da polícia’.
Apesar da assertividade do estudo e das palavras, talvez o delegado tenha sido muito econômico. Nos dias de hoje, as drogas não atingem apenas o trabalho da polícia, mas com certeza tira o sossego de quase toda a sociedade, que de forma aparentemente inerte apenas assiste à intensa e rápida expansão do comércio de drogas e de suas complexas consequências.
Enquanto isso, bandidos cada vez mais ousados, preocupados apenas em conseguir alguma coisa para trocar pela droga, e que parecem totalmente indiferentes ao perigo ou a morte, estão nos deixando completamente acuados, com medo de sair de casa e até mesmo de ficar nela, pois já não há mais alarmes, câmeras de segurança ou cercas elétricas capazes de segurar a onda de crimes que está assolando a cidade.
Mas o que fazer? A resposta certamente não é simples. No entanto, se não é fácil resolver o problema, é pelo menos imprescindível tentar compreendê-lo. De forma geral, é possível afirmar que a droga faz parte de uma grande indústria, uma indústria ilegal, é verdade, mas que por isso mesmo foi uma das que mais cresceram nas últimas décadas, aproveitando-se da globalização dos mercados e do crescimento econômico das camadas de baixa renda, que além de carros, eletroeletrônicos e vários serviços diferenciados também passaram a consumir esse produto mais frequentemente.
Como qualquer indústria, para atender a esse consumo em crescimento e encarar a competitividade de seu setor, ela também diversificou e ampliou suas linhas de produtos, criando drogas mais baratas e acessíveis, mas, ao mesmo tempo, mais viciantes e letais, infelizmente.
O problema, porém, é que ao contrário das outras indústrias, a das drogas age em surdina, o que torna muito difícil impor limites a ela. Não há ações na bolsa, não existe sede fixa e nós não conhecemos seus presidentes, sócios ou seus diretores. Conhecemos apenas seus mais acanhados representantes, aqueles que se escondem e traficam em ‘bocas de fumo’ que se espalham por qualquer cidade desse país.
Outro problema é que a capilarização dessa indústria é intensa e eficiente. Está nos extratos mais pobres da população como também na polícia e em todas as instâncias governamentais, sem deixar quase nada de rastros ou vestígios.
Dessa forma, combatê-la torna-se muito difícil. Alguns propõem a legalização. Outros são contra. Mas o que talvez seja mais imprescindível nesse momento é repensar a própria sociedade e adotar medidas duras contra o tráfico e, também, de recuperação dos viciados.
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