A partir de hoje, os sapateiros de Franca podem cruzar os braços a qualquer momento. Em uma assembleia que reuniu cerca de 300 trabalhadores no final da tarde de ontem, a categoria rejeitou a proposta de 7,13% de aumento oferecida pelo Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca) e decidiu decretar estado de greve, medida que autoriza os sapateiros a iniciarem paralisações a qualquer momento.
O presidente do Sindicato dos Sapateiros de Franca, Fábio Cândido, disse que a categoria considerou a proposta dos empresários uma afronta. “A inflação do ano passado foi de 6,67% e eles nos oferecem 7,13%. Isso não significa aumento nenhum. Estão brincando com a gente. É inaceitável.”
Para o sindicalista, o mínimo que os sapateiros aceitam é 10% de reajuste. “Ainda assim é pouco. Nossa categoria está com os salários muito defasados, mas entendemos o contexto que a indústria está vivendo. Só queremos o que é justo.” Os trabalhadores ainda pedem que o abono escolar seja pago em dinheiro e querem uma participação nos lucros e resultados equivalente a 200 horas de trabalho.
Com o estado de greve, a estratégia dos sapateiros é fazer paralisações pontuais para pressionar os patrões a assinarem acordo. “Como a negociação coletiva não evoluiu, vamos tentar um acordo direto com os donos das fábricas. As paralisações começam a partir desta quinta-feira e não vão parar até que todos os trabalhadores sejam respeitados.”
Para a manhã desta quinta, o sindicato disse que deverá utilizar um carro de som para avisar os sapateiros sobre o resultado da assembleia e colocar a estratégia em prática. “Eles vão ter que nos ouvir”, disse o presidente se referindo aos empresários.
Segundo Fábio, a possibilidade de uma nova rodada de negociação com a indústria não está descartada. “Se eles apresentarem algo que respeite nossa categoria e não seja uma afronta, estamos dispostos a analisar.”
O presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão, disse que a decretação do estado de greve não assusta. “É uma coisa bem normal dentro do processo de negociação salarial.” Ele ainda afirmou que não há mais espaço para negociações. “Chegamos ao nosso limite. Conversamos com os empresários e o máximo que eles podem oferecer são 7,13%. Estamos enfrentando a concorrência chinesa, agora até Portugal já está roubando nossos contratos. Temos um cenário não muito favorável e estamos fazendo o possível.”
Sobre a estratégia de negociações individuais (fábrica a fábrica) adotada pelo sindicato dos empregados, Brigagão afirmou que ela já foi adotada no passado e não deu certo. “Não acredito que vá funcionar. Nossa recomendação é para que os empresários não assinem nenhum acordo individual.”
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