...e a pedra de Bendegó


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Já caiu por aqui algum grande meteorito? Sim, no Brasil caiu um que ocupa o 16º lugar na lista dos maiores conhecidos. Foi há muito tempo que aconteceu e a descoberta se deu em 1784. Neste ano , um menino chamado Bernardino da Mota Botelho andava com seu pai, vaqueiro na Fazenda Bendegó, município baiano de Monte Santo, quando viu enorme pedra preta fincada no meio do cerrado. As autoridades, informadas a respeito, providenciaram para que doze juntas de bois removessem a pedra para Salvador. Mas os animais não deram conta, andaram apenas 180 metros e deixaram a pedra rolar até o riacho Bendengó. Ali ela ficou durante um século.

A notícia daquela pedra esquisita correu o mundo. E trouxe ao nosso país cientistas de renome como o inglês Mornay, em 1810, e os alemães Spix e Martius, em 1820. Eles reco-lheram amostras da pedra e levaram para a Europa, analisando-a como um meteorito que havia caído no local há milhares de anos. Mas só em 1886, o Imperador Pedro II, visitando a Exposição de Ciências em Paris, tomou conhe-cimento da existência da “Pedra de Bendegó”. Ao voltar ao Brasil tomou providências para que fosse retirada do riacho e levada ao Rio de Janeiro. Foi uma operação custosa, que envolveu muita gente e levou meses. Foi necessário construir uma carreta especial pu-xada por animais, para transportar a pedra. Depois de 126 dias, ela chegou ao porto de Salvador, sendo embarcada rumo ao Rio de Janeiro. No dia 15 de junho de 1888 a Princesa Isabel a recebeu numa cerimônia oficial.

A pedra ficou nas imediações do Paço da Boa Vista, residência da Família Real. Em 1892, depois de proclamada a República, o palácio foi transformado em Museu Nacional. É nele que se encontra o meteorito de Bendegó , que tem formato achatado e parece uma sela negra. Mede 2,20m x 1,45m e pesa 5.360 toneladas. Tem em sua composição grande quantidade de ferro e níquel. Muitos cordelistas nordestinos já contaram a história, com o título “A saga da pedra de Bendegó”.

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