Dezenas de usinas de açúcar e etanol estão para fechar ou mudar de donos devido a dificuldades econômicas. A Petrobras está em crise. A outrora próspera siderúrgica Usiminas perdeu 75% de valor nos últimos cinco anos. O sistema público de saúde vive crise de atendimento que também contamina planos de saúde e leva à penúria os hospitais filantrópicos. A eletricidade dá sustos na população que, recentemente, viu reservatórios das usinas geradoras em níveis críticos. Não menos assustada vive a população com a falência da segurança pública, traduzida em assaltos, chacinas, execuções e ataques a instituições policiais. Ainda assim, a propaganda oficial aponta ‘admirável e próspero país’.
Os valores do patriotismo, que no passado se ensinava às crianças, nos conduzem a crer no “país do futuro”, mas, infelizmente, o quadro que o dia a dia nos apresenta é sombrio. Como podem usinas produtoras de álcool, combustível escasso na matriz energética nacional, estar em crise? O que leva grande siderúrgica a quedas expressivas como ocorre com a Usiminas? O leitor, certamente, tem outros questionamentos sobre coisas que se tornaram incompreensíveis, tais como o pagamento de correção menor que a inflação à caderneta de poupança, achatamento do salário dos aposentados que recebem mais de um salário mínimo etc.
A sensação é a de que estamos sentados sobre grande barril de pólvora. Embora diferentes setores da economia sinalizem frequentemente para problemas, o governo continua ufanista em sua propaganda. Vende, um ‘nunca como antes’, ao País. A produção industrial e o comércio têm sido alavancados com desonerações fiscais e a temerária facilitação do crédito. Incentiva-se o cidadão a adquirir carro novo, mesmo que dele não necessite e o tenha de financiar integralmente a perder de vista. Pode ser solução para curto prazo, mas vem se alongando perigosamente e, mesmo assim, o crescimento econômico dá sinais de estagnação. E se não der certo, e a crise, finalmente, apresentar sua cara, o que vai acontecer a milhões de endividados? E seus financiadores, como ficarão?
Depois das aventuras do Cruzado de Sarney e do Plano Collor que confiscou a poupança do povo o País entrou no neoliberalismo econômico. Itamar criou o real, FHC assumiu sua paternidade e o manteve. Lula continuou e Dilma faz o mesmo. Apesar de diferenças pontuais, os governos das últimas duas décadas são muito iguais. Fazem perfumaria, mas não diferem no fundamental.
A sociedade e os empresários, outrora tão ativos e questionadores, precisam tomar posição. Não podemos continuar vivendo o flagelo da iminência do pior vir a acontecer. Os detentores do capital precisam, no mínimo, garantir sua manutenção, e os representantes dos detentores do trabalho não podem se contentar apenas com o emprego que hoje lhes é garantido nos escaninhos do governo.
Se o País for para o buraco, iremos, todos, juntos!...
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
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