Uma das características mais intrigantes de alguns brasileiros é tão misteriosa que poderia facilmente ser tema de um complexo estudo acadêmico. Ainda sem nome científico definido, ela é chamada popularmente de “puxação de saco estrangeira”. Todo mundo conhece alguém que idolatra cada coisa que os outros países fazem enquanto rejeita toda e qualquer manifestação brasileira. Esse espécime pode ser reconhecido pela frase: “não quero ver esse filme. O cinema brasileiro é muito chato”. Esse pequeno trecho revela o preconceito para com tudo o que qualquer cidadão desta nação possa vir a produzir, taxando todo o conteúdo cinematográfico produzido por qualquer brasileiro de lixo. Essa espécie de pensamento não fica presa somente à sétima arte, mas engloba quase toda a cultura nacional.
A questão é que em meio a todo esse ódio sem sentido, muitas pessoas não enxergam a riqueza produzida aqui, que é muito bem vista e apreciada pelos próprios gringos. Eles pagam caro pela nossa arte, curtem nossa música e assistem nossos filmes.
Tanto é que um francano foi convidado a ir para a Itália fazer uma série de apresentações de capoeira, uma manifestação tipicamente brasileira desenvolvida por esses lados ainda durante a época da escravidão. Renato Miranda, 28, trabalha como vigilante durante o dia e suas noites são guardadas para ensinar capoeira para cerca de 40 crianças e adolescentes nos centros comunitários da Vila São Sebastião, bairro Santa Maria e Jardim Panorama. O evento acontecerá do dia 25 desse mês e seguirá até dia 5 de março. “Estou indo a convite do professor Fábio de Souza ‘Carangueijo’, que desenvolve um grande trabalho em Milão, promovendo a capoeira pela Itália e também pela Europa”, afirma Renato. O vigilante também revela a satisfação de ser escolhido para essa apresentação. “É uma conquista muito satisfatória, pois significa que meu trabalho está dando certo e sendo reconhecido. A capoeira me proporcionou e vem me proporcionando muitas oportunidades”, revelou Renato.
BERIMBAU EM FRANCA
Renato, que atualmente vive no Jardim Zelinda, começou a praticar o esporte em 1999, quando entrou para o grupo Raízes do Brasil, do qual faz parte até hoje. Com seus 14 anos de experiência, “Vampeta”, como Renato é conhecido por amigos, aproveita a chance para revelar como é esse cenário pelas ruas de Franca. “É bem fraco. Principalmente por falta incentivos da Prefeitura, por exemplo. Além de ser professor de capoeira também sou formado em Educação Física e encontro muitas dificuldades para a aceitação do esporte, principalmente dentro das escolas, diferente das outras cidade, estados e países que conheço”, relata.
Para finalizar, aproveitando a experiência de Renato o Se Liga perguntou quais as vantagens da capoeira para o corpo humano, e olha que são muitas. “Capoeira é uma manifestação cultural que reúne aspectos de luta, dança e jogo. A sua pratica favorece o desenvolvimento de habilidades e capacidades motoras, contribui para a melhora da qualidade de vida enquanto eleva os níveis de resistência cardíacas podendo prevenir ou amenizar doença respiratórias”, explica. “Já no aspecto social, a capoeira contribui para a educação e a formação de cidadãos conscientes de sua atuação, porque resgata o convívio coletivo a superação de limites, o respeito e a valorização do indivíduo”.
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