Ocupação: 300 famílias invadem área da Prefeitura de Restinga


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Grupo se reuniu na tarde de domingo para receber orientação e planejar o que fazer na área ocupada
Grupo se reuniu na tarde de domingo para receber orientação e planejar o que fazer na área ocupada

Um grupo de aproximadamente 300 famílias de Restinga ocupou, domingo, uma área às margens da rodovia Nestor Ferreira, que liga Franca àquela cidade, numa extensão de 3 quilômetros. A principal alegação do grupo - que diz não ter nenhuma ligação com o MST (Movimento dos Sem-Terra) - é a dificuldade para pagar aluguel e, pela área que pertenceria à antiga Fepasa, ser improdutiva há anos. Ontem, o prefeito de Restinga, Paulo Pitt (DEM), esteve no local e afirmou que o terreno, na verdade, é da Prefeitura desde a década de 1990. Ele pretende acionar a Justiça, caso a área não seja desocupada.

No domingo, as famílias já deram início às demarcações dos terrenos, com aproximadamente 150 metros quadrados, cercaram com arame farpado e começaram a limpar a área. Entre os ocupantes estava Clóvis Francisco Silva, 53, que participou de uma invasão pela primeira vez. “Está muito difícil pagar aluguel. Por isso, ocupei a área na expectativa de conseguir um terreno para construir”, disse Clóvis, que ontem limpava o terreno para montar uma barraca.

Valentin Costa, 59, é outro morador de Restinga que ocupou a área com cinco filhos. “Cada um cercou um lote e ainda pegamos um para um vizinho que estava viajando.” Ontem o vizinho de Clóvis, Rafael Urquiza, 20, faltou ao serviço para ficar no local. Ele mora com a mãe em casa própria, mesmo assim disse que pretende conseguir a área.

IMPRODUTIVA
Segundo o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), para não ser considerada improdutiva a terra precisa ter 80% de GUT (Grau de Utilização da Terra) e 100% GEE (Grau de Eficiência de Exploração). Ivan Lima, supervisor do Itesp (Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo), entidade responsável por planejar e executar as políticas agrária e fundiária em São Paulo, inclusive com acompanhamento do assentamento da Fazenda Boa Sorte, disse ainda que as principais características para uma terra ser considerada improdutiva é a ausência de produção agrícola e criação de animais. “Mas para isso, é preciso fazer uma análise da área para ver se cumpre os parâmetros estipulados pelo Incra. Isso depende de vários fatores como, por exemplo, o tamanho da área. O mesmo acontece quando o terreno pertence à Prefeitura. É necessário verificar para qual fim o terreno foi doado ao município.”

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