Duzentas famílias invadem área às margens da rodovia Nestor Ferreira


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Cerca de 200 famílias estão em terreno na rodovia Nestor Ferreira
Cerca de 200 famílias estão em terreno na rodovia Nestor Ferreira

Cerca de 200 famílias – aproximadamente 800 pessoas -, a maioria moradores de Restinga, ocuparam neste domingo uma área do espólio da Fepasa (Ferrovia Paulista S.A). O trecho invadido fica às margens da Rodovia Nestor Ferreira, lado direito para quem segue sentido Franca a Restinga, por onde passava os trilhos da ferrovia. A ocupação se estende a partir da divisa dos dois municípios até o trevo de acesso à cidade de Restinga. As famílias ocuparam cerca de 120 mil metros quadrados (3km de extensão por 40m de largura), dentro do município de Restinga. Os integrantes do movimento, no entanto, não descartam a possibilidade de invadir a área que passa pelo município de Franca.

Segundo líderes da invasão, a área está abandonada. “As terras pertenciam à antiga rede ferroviária federal, foram transferidas para a SPU (Secretaria de Patrimônio da União) e, portanto, são públicas. Estas famílias resolveram invadir a área para fazer moradia neste local que não tem ocupação nenhuma”, disse Ana Valério, agricultora que fez parte do movimento que tomou posse da antiga Fazenda Boa Sorte e hoje está assentada na área. Ela foi convidada para organizar e preparar as negociações com o poder público.

O pedreiro Leandro Galdino, 33, disse que a falta de moradias em Restinga, aliada aos altos alugueis, o obrigaram a alugar um imóvel em Franca. Nascido e criado em Restinga, ele alegou que pretende lutar para garantir um terreno e construir sua casa para ficar perto da família. “A maioria não tem condições de pagar aluguel. Queremos fazer desta área um bairro de Restinga, urbanizar. Não temos como pagar aluguel”, garante Galdino.

Entre os invasores há pessoas que foram candidatas a vereador ao lado do prefeito Paulo Pitt (DEM), funcionários públicos municipais, domésticas, motoristas, donas de casa, sapateiro, lavradores, entre outros. O prefeito não foi localizado neste domingo para falar sobre a invasão, mas, segundo fontes, Pitt teria procurado o Batalhão da PM de Franca pedindo providências para a retirada do grupo da área.
Ana Valério, que organiza o movimento e já cadastrou a maioria das famílias invasoras, disse que Pitt não esteve no local, mas garante que o grupo “conta com a ajuda do prefeito”. “Nós não sabemos se a Prefeitura conseguiu a posse desta área ou se está em nome da SPU. E o que vamos descobrir esta semana, para saber com quem negociar. O prefeito, tenho certeza, vai nos ajudar.”

INVASÃO COMEÇOU SÁBADO
A invasão da área teve início no sábado, com cerca de 15 famílias. No entanto, o grupo foi orientado a se retirar do local pela polícia, após ficar constatado que ele teria invadido área de domínio do DER (Departamento de Estradas de Rodagem). Durante a noite, as pessoas se organizaram e invadiram o trecho por onde passava a ferrovia, tomando o cuidado de improvisar uma cerca para que o trecho do DER não fosse tomado.

“Estamos aqui, brigando pela casa própria e não por agricultura. Que isto fique claro”, declarou o motorista Rondineri Andrade, 35. “Se Restinga é para todos, como diz o prefeito, nós queremos o nosso pedaço para ter onde morar”, emendou a dona de casa Leidivane Dourado Ananias, 27, que ao lado do marido, três filhos, e da mãe, doméstica Marilda Ananias, 45, se juntou a vizinhos e tomou para si uma grande faixa. No local, até bananeiras o grupo plantou para demarcar a área que “lhes pertence”.

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