Falar em cultura é sempre difícil, uma vez que o termo se abre a várias possibilidades de leitura. Geralmente cultura se liga ao estágio de desenvolvimento e percepção de um país ou de povo em relação às ciências, à arte e a todo conhecimento produzido pela humanidade em seu processo de evolução.
Mas, apesar de possível e até certo ponto correta, essa explicação não é totalmente consensual. Antropologicamente, também é possível definir cultura como o modo e a capacidade de transformar a natureza que está ligada a cada povo, sem entrar no mérito desse conhecimento, que de forma geral só pode ser transmitido por um processo de escolarização mais sofisticado.
Porém, independentemente desse entendimento e dessas definições mais intelectuais, não é de todo errado afirmar que na prática atual de nosso cotidiano boa parte da população brasileira está bem distante da produção cultural acumulada pela humanidade durante os vários séculos de sua evolução, o que consequentemente se reflete no cenário mais particularizado de Franca e região.
São coisas simples, é verdade, distantes dos grandes marcos culturais do mundo civilizado, porém, ao mesmo tempo, bastante significativas desse estado de ‘abandono cultural’ em que vive a maioria dos francanos. Primeiramente, é possível citar o abandono em que vive o Museu Histórico da cidade. Com mais de um século de existência, o prédio que o abriga está em péssimas condições, apresentando vários problemas estruturais, goteiras, paredes deterioradas, chão esburacado e até mesmo peças do acervo deixadas a céu aberto.
Para sanar esses problemas, existe até um estudo do Sisem (Sistema Estadual de Museus de São Paulo), mas de acordo com Prefeitura e com os responsáveis pelo museu ainda não há um projeto específico para o Museu e muito menos verbas para implementá-lo, caso ele seja elaborado.
Em segundo lugar, é possível acrescentar a esse descaso o esquecimento em que vive um artista local, conforme divulgado por matéria publicada por este Comércio no domingo, 10/02. Com mais de três mil telas pintadas, Pedro Schirato, aos 74 anos de idade, é praticamente um desconhecido da maioria da população de Franca e região, já que não há espaços na cidade para divulgação de sua obra e também não existe nenhum incentivo municipal para a produção, sinais bastante eloquentes da falta de interesse pela arte.
O problema, com certeza, não é falta de verba. No fundo, faltam vontade política e um pouco mais de cultura para todos os extratos da população, claro que na acepção mais tradicional desse termo, aquela que liga o gosto e o conhecimento popular às produções mais sofisticadas da arte e da cultura humana.
Para chegar lá precisaremos de mais investimentos em arte, cultura e educação.
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