De 2011 para 2012, cresceram as denúncias de maus-tratos, negligência e pais ou responsáveis alcoolizados e toxicômanos (usuários de droga) no Conselho Tutelar de Franca. A situação mais grave é a dos pais alcoolizados, que dobrou de um ano para outro, com 1.577 casos confirmados em 2012 ante 787 de 2011.
A segunda maior variação entre os dois anos foi nas ocorrências de maus-tratos, que subiram de 665 para para 1.109. Em seguida, vem a negligência, com 2.117 casos em 2011 e 2.868 em 2012. Por último, foram registrados 686 pais dependentes químicos em 2011 e 880 no ano passado, representando um acréscimo de 28,2%.
Também chamam a atenção os dados referentes à conduta dos jovens. Em todo o ano passado, 2.899 adolescentes foram encaminhados ao órgão por rebeldia; 1.350 por alcoolismo e 1.113 por consumo de drogas.
“Esses casos têm crescido, primeiramente, porque a população de Franca tem aumentado a cada dia. Em segundo lugar, com a ajuda da mídia, as pessoas têm procurado mais o Conselho. Além disso, as problemáticas das famílias têm se agravado: os pais cada vez mais têm perdido sua função de cuidar dos filhos, que ficam negligenciados”, afirma a conselheira tutelar Viviane Silva.
Quanto aos casos de pais ou responsáveis alcoolizados e toxicômanos, ela explica que a elevação do uso de drogas e álcool é um fenômeno nacional. “Quase todas as pessoas que usam drogas bebem também. Elas começam pela bebida e partem para as drogas”, diz Viviane. Tanto pais quanto filhos usuários de drogas são encaminhados para o Caps (Centro de Atenção Psicossocial), mas o atendimento da instituição está longe de ser perfeito, na opinião da conselheira. “Para começar, o Caps é para atendimento de adultos. O tratamento não é adequado para adolescentes. Às vezes, quando encaminhamos adolescentes para lá, eles demoram a atendê-los, mesmo se tivermos a determinação do juiz”, reclama. A reportagem procurou a Secretaria de Saúde para comentar a declaração, mas não obteve resultado até o fechamento desta reportagem. Em matéria publicada no último dia 22, o Comércio informou que, por ordem judicial, a Prefeitura e o governo do Estado têm um prazo de seis meses para a construção de um hospital para jovens com problemas mentais ou viciados em drogas.
Já a conselheira tutelar Gláucia Limonti dá outro motivo para o aumento nas ocorrências. “Muitas vezes ocorre reincidência nos mesmos casos. A família nos procurou e, naquele dia, seu problema não foi solucionado. Quando acontece a reincidência, a situação já está pior. A solução seria um acompanhamento adequado, o que é impossível devido à grande demanda. Por isso, um segundo Conselho é necessário”, afirma. Reportagem do dia 29 de janeiro publicada pelo Comércio apontou que, apesar de já ter sido criado por uma lei municipal há 18 anos, o segundo Conselho Tutelar de Franca ainda não existe na prática. A Prefeitura só deverá criar uma nova unidade em 2016.
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