133 escolas funcionam sem o laudo de segurança, aponta dados do MP


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Imagem de arquivo mostra sala de aula após incêndio na Escola Estadual “Caetano Petraglia” ocorrido em março de 2010
Imagem de arquivo mostra sala de aula após incêndio na Escola Estadual “Caetano Petraglia” ocorrido em março de 2010

Um setor parece ter sido esquecido pelo pente-fino promovido pela Prefeitura Municipal e pelo Corpo de Bombeiros para fiscalizar a segurança de prédios na cidade. Uma investigação feita pela Promotoria de Habitação e Urbanismo em Franca revela um dado alarmante: hoje uma em cada três escolas ou creches em funcionamento na cidade não tem laudos de segurança. São 133 unidades escolares funcionando irregularmente. O mais grave: todas são públicas (71 municipais e 62 estaduais). Muitas já foram notificadas há mais de um ano para que tomassem providências, mas, até o momento, não deram resposta (veja quadro).

A investigação promovida pelo promotor de Justiça Carlos Henrique Gasparoto começou há cerca de três anos, logo depois que o telhado de uma área da Escola “Toulousse Lautrec” desabou. De lá para cá, 638 estabelecimentos de ensino em Franca e região foram notificados a apresentar os documentos que atestam a segurança dos imóveis onde funcionam. Deste total, 376 unidades são de Franca. “A maior parte dos prédios particulares apresentou a documentação e está dentro das normas. Algumas escolas fizeram acordos com o Ministério Público e já providenciaram a regularização. O problema mesmo tem sido o setor público”, disse o promotor. Os principais problemas são falta de extintores, hidrantes, saídas de emergência e rampas.

Segundo ele, todas as escolas estaduais que funcionam na cidade estão irregulares há pelo menos um ano. “Eu notifiquei a direção dessas unidades e o governo do Estado, mas até o momento nenhuma providência foi tomada”. Entre as municipais, o quadro não é diferente. “São 71 unidades irregulares. Apenas uma escola já apresentou todos os laudos de segurança.”

RISCOS
O promotor chama a atenção para o fato de que, sem a documentação, não há nenhuma garantia de que os prédios são seguros para receber todos os dias milhares de crianças e adolescentes. “Como não apresentaram os laudos exigidos, não temos como saber em que condições esses prédios estão funcionando. Isso é um risco. Pode ser que muitos não estejam adequados para receber alunos.”

Segundo Gasparoto, a responsabilidade pela fiscalização destes locais é da Prefeitura. “Infelizmente o Ministério Público não tem condições de vistoriar unidade por unidade. Essa é uma responsabilidade do Setor de Fiscalização do município. Estou, inclusive, movendo uma ação judicial cobrando que este serviço seja feito adequadamente.”

O chefe de Fiscalização, Éder Brazão, disse que a Prefeitura tem feito o possível para vistoriar os locais, mas não há mão de obra suficiente. “Somos 18 fiscais. Hoje estamos concentrados no setor de eventos e casas noturnas, mas vamos fiscalizar as escolas. Só que essa ação deve levar um tempo.”

A Secretaria Estadual da Educação foi procurada na sexta-feira para comentar o assunto e, por meio da assessoria, disse que deve se pronunciar a respeito até terça-feira, já que precisaria consultar diversos órgãos e profissionais internos. Em março de 2010, a Escola Estadual “Caetano Petraglia”, no Bairro Cidade Nova, foi atingida por um incêndio que começou no porão de uma das 12 salas da instituição. Um curto-circuito na fiação teria gerado o fogo que obrigou as crianças a serem retiradas às pressas e as aulas serem suspensas.

A secretária municipal de Educação, Leila Haddad, afirmou que já está ciente do problema e vem trabalhando para regularizar as unidades. “Temos ordem expressa do prefeito para resolver isso o mais rápido possível. Estamos fazendo estudos e reformas para adequar às exigências legais. Algumas até já foram regularizadas”, disse ela, sem falar em números.

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