A professora e ex-conselheira deste GCN, Rita Mozetti, me surpreendeu semana passada
Escreveu contando sobre exercício que realizou com companheiras professoras, ao início de fevereiro, pouco antes de se debruçarem ao planejamento anual de seus respectivos trabalhos. Leu, para o grupo, meu texto ‘Coisas simples’ – disponível em http://www.gcn.net.br/jornal/index.php?codigo=198756 – que publiquei aqui em 19 de janeiro e no qual coloquei espaço em branco, desafiando meus leitores a que descrevessem pequenas ações, gestos, jeitos de ser e de fazer as coisas em outros tempos, quando ainda não corríamos na velocidade que o mundo de hoje nos exige.
Ela conta: ‘refletimos. Depois, pedi a cada uma que escrevesse apenas uma coisa simples da qual sentia falta’. Toparam. Ela recebeu os papeizinhos escritos, os guardou e não falou mais sobre, ou, pelo menos, até que me contou a respeito. Agradeci-lhe. Afinal, era meu intuito dado o bom número de respostas enviadas a meu e-mail por leitores que também aceitaram o desafio, propor que o exercício fosse adotado para prática em salas de aula. (A professora Lúcia Gissi Ceraso, de saudosa memória, e a quem eu chamava de primeira dama do civismo, de quando em quando fazia algo semelhante. Lembrava, com sua costumeira forma de ser e agir que quem não diz ‘bom dia’, ‘boa tarde’ e ‘boa noite’, e nem ‘obrigado’ ou ‘perdoe-me porque errei’, jamais seria gente. Discursava e passava a exigir prática. Ai de quem se recusasse ou deixasse para lá. Penso que o contexto seja o mesmo. Coisas simples e valiosas, não praticadas, tendem ao esquecimento. Dai à completa supressão e um nadica de nada...).
A boa história protagonizada por Rita e suas companheiras me estimulou a começar a falar deste novo desafio. Se professores propuserem esse exercício e estimulam seus alunos, a prática pode ir parar na casa de cada um. Você vai conhecer agora o que foi que as professoras companheiras de Rita Mozetti grafaram no papel. Sei que elas próprias ainda não viram o resultado da bela página que, juntas, escreveram. Presenteio a elas. Peço-lhes que continuem. Ouso pedir a você, que me lê, esteja lá onde estiver, que pratique também o exercício. E a prática...
COISAS SIMPLES...
“Acreditar sempre em um novo dia. Acreditar nos sonhos, ter sorrisos que alegram e amenizam... Pensar em Deus mais de uma vez por dia, tendo olhar mais atento ao que nos é dado de graça e nem sempre nos lembramos de agradecer. Agradecer pelo dom da vida. Colocar a cadeira na calçada e jogar conversa fora. Conhecer os colegas de trabalho. Devolver o que achou sem pedir ou esperar recompensas. Preservar o bate-papo familiar e não se desculpar dizendo que não tem tempo para os encontros. Olhar para o outro com atenção... Beijar a filha todos os dias. Falar somente quando for para construir e se calar quando for para diminuir e depreciar. Respeitar o outro exatamente como ele é. Oferecer o lugar às pessoas idosas. Sorrir mesmo estando triste. Receber o bom dia dos filhos antes mesmo de sair da cama. Identificar sempre o belo, o providencial... A serenidade, o bom humor. Sorrir para as pessoas. Chorar de rir. Andar descalço na chuva. Ser gentil. Presentear sem esperar datas importantes... Almoçar e jantar com a família. Autenticidade sem grosseria. Dizer apenas ‘Que bom te encontrar!’ Dizer ‘Eu te amo’... Beijar, pedir a benção para os pais. Pedir ‘Por favor!’ Elogiar sempre... Acordar e abrir a janela. Sentar no chão. Pedir licença antes de entrar. Ser sempre a luz das pessoas através das atitudes. Respeitar a individualidade. Responder sempre que for solicitado. Ajudar o próximo... Acordar com um beijo. Fazer tudo com amor. Estar de bem com vida...”
Professoras do Projeto de Alfabetização de Jovens e Adultos
Secretaria Municipal de Educação - Fevereiro de 2013
‘E O PRÊMIO VAI PARA O... LOCATÁRIO!
Prêmio ‘IPTU em dia’ dado ao locatário e não ao dono do imóvel? Mas nunca! Donos de imóveis vão agregar o valor do IPTU ao aluguel. Daqui em diante, anúncios terminarão, invariavelmente, em ‘isento de IPTU’, mas o valor do IPTU continuará sendo pago pelo locatário! E tem mais: quando locadores e imobiliárias forem ouvidos, dirão que ‘o mercado se adaptará’, o que, no popular, significa dizer que os ‘locatários continuarão se (...)!’. Cumprimento, no entanto, a ‘sacada’ do vereador Marco Garcia. Fosse em país onde a lei de Gerson não vale, daria certo...
ÁUDIO-COLUNA
Amigo cego sugeriu-me que disponibilize, em áudio, estes meus textos de sábado através do portal GCN.net, junto ao texto digital. “Faça uma áudio-coluna, a exemplo dos áudio-livros que em certa ocasião o desafiei a gravar e doar para o acervo da Fundação Dorina Nowill”. Com seu espírito brincalhão, não deixou por menos: “como você é um locutorzinho metido, garanto que vai ganhar ainda mais fãs”. Disse e se foi com seu jeito bonachão, antes que pudesse lhe responder. Por que não?
LIVROS FALADOS
Para quem não sabe, a Fundação Dorina Nowill para Cegos tem, em seu acervo, mais de 60 mil livros falados para uso de cegos. Estão lá todas as principais obras de literatura brasileira e internacional, inclusive a revista ‘Veja’, gravada todas as semanas em estúdios da fundação por locutores profissionais. Vale a pena conhecer. Vá a http://www.fundacaodorina.org.br/o-que-fazemos/
QUEM LÊ
De Luiz Fernando Borges: ‘Parabenizo você por seu texto de 9 de fevereiro, sábado de carnaval. Foi uma reprodução fiel e saudosista de tempos que não voltam mais. Continue com seu código de conduta. Concordo plenamente com os temas que tem abordado’. Também Valdes Rodrigues, o dono do Show da Manhã, da rádio Difusora. Valdes é bom companheiro de décadas e, para muita honra minha, também acompanha meus textos. Aliás, não apenas acompanha. Vira e mexe, leva algumas de minhas mal traçadas a seu programa, a questão dos ‘manos e das minas de hoje’ que abordei sábado passado, a exemplo.
Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br
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